Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

Por Luigi Torre

8:00 Preciso de pelo menos oito horas de sono. Então, sempre calculo a hora de dormir com base nesse intervalo. Atualmente, estou tentando recuperar um hábito que mantive por anos: tomar um copo d’água em jejum, logo que acordo. Por enquanto, está dando certo. Só depois disso começo a funcionar de manhã: levanto, coloco uma música bem tranquila para me dar mais energia, faço um café e como alguma fruta. Também aproveito esse momento da manhã para organizar tudo o que preciso para o meu dia, separo algumas referências e materiais que pesquisei na noite anterior e que precisam ir para o escritório. 9:00 Peço meu Uber para ir trabalhar, porque o metrô ainda não está pronto – estou doido para inaugurar! Do Leblon, onde moro, até a Animale, em São Cristóvão, levo, em média, 30 minutos. 9:30 Vou direto para minha sala, que divido com minha equipe de criação. Ali, comigo, são cinco pessoas, mas se considerarmos as costureiras, modelistas e todo mundo envolvido, temos umas 20 pessoas me ajudando. A primeira tarefa do dia é uma recapitulação de tudo o que fizemos na data anterior, onde paramos e em que pé estamos. Trocamos algumas ideias sobre o processo todo e começamos a trabalhar.

11:00 Atualmente, estamos em fase de provas de roupa. Por volta desse horário, já organizamos tudo e podemos começar os testes. Ficamos nessa função por cerca de duas horas, até perto do almoço. 13:00 Antes de sair, vou para a sala da diretora de criação, Beth Nabuco, para conversarmos um pouco sobre as coleções em andamento e trocarmos algumas ideias. Geralmente, saímos para almoçar juntos, quase sempre no restaurante Box, que é bem perto do nosso escritório e tem comidas bem leves – nós adoramos. Minhas refeições são muito parecidas, adoro saladas de todos os tipos. Então, tem sempre algum verde, alguma folha, às vezes uma fruta, uma porção generosa de legumes e alguma proteína. Também aproveitamos esse intervalo para fazer reuniões. 14:10 Em pouco mais de uma hora estamos de volta. Como falei, nunca vamos muito longe. Na parte da tarde, continuamos com mais provas de roupa. Como temos muitas coleções caminhando simultaneamente, a gente gosta de trocar após o almoço. Por exemplo, se estamos trabalhando no inverno de manhã, mudamos para a de verão. Assim, mantemos todas em andamento o tempo todo. Nossos prazos são muito fechados. Então, é importante termos todos esses horários muito ajustados – sempre em constante revisão. Precisamos estar o tempo todo controlando entregas de tecidos dos nossos fornecedores, checando o que está para chegar, o que precisamos mandar para fazer algum tipo de beneficiamento. E justamente por ter tudo bem organizado, consigo também me dividir entre minhas próprias coleções, da Vitorino Campos, e as da Animale. Ontem, por exemplo, passamos a manhã aprovando modelagens da Vitorino e, à tarde, da Animale. No começo, foi bem difícil fazer essa engrenagem funcionar, mas agora já estamos mais acostumados. Se continuarmos assim, no ano que vem estará tudo perfeito!

16:00 É quando me sento com os modelistas para olhar como estão seus trabalhos, verificar o que precisa ser alterado ou corrigido e se os acabamentos estão corretos. 17:30 Resolvo algumas questões de marketing e comunicação com a Monica de Souza, responsável por essa área, e volto para a minha sala para organizar o que ficou pendente para o dia seguinte. 19:00 Minha equipe vai embora e eu migro para a sala da Beth novamente. É o momento mais prazeroso para mim. É quando ficamos trabalhando juntos em estamparia e trocando ideias sobre as coleções. Sempre coloco uma música suave de fundo – porque ela não gosta muito de som alto –, e ela serve sempre damascos ou castanhas para ficarmos comendo. 20:30 Ficamos lá até a empresa fechar suas portas. Então, Beth me dá uma carona até minha casa. Chegando lá, vou encontrar meus amigos Guilherme Ribeiro e Mariana Falcão, que têm uma rotina superfitness, para corrermos do Leblon ao Arpoador e tomarmos um açaí. Já fui um melhor corredor, mas estou retomando. É um bom momento para botar o assunto em dia e pensar em outras coisas. Acho importante ter esse tempo longe do escritório. Frequentemente, faço reuniões de brainstorm com minha equipe em locações diferentes, como no café do Parque Laje, para trazer ideias mais frescas. Aos fins de semana, gosto de ir a lugares inspiradores. Adoro o Instituto Moreira Salles, por exemplo.

22:30 Estou de volta em casa. Entro e já ligo o som enquanto preparo meu jantar (de novo alguma proteína ou uma sopa. Adoro sopa à noite). Depois, leio algum livro – atualmente é “O Antigo Segredo da Flor da Vida“, que a Marina Benzaquen, minha amiga que cuida das redes sociais da Vitorino Campos, me indicou – ou assisto a algum filme. Já tive uma vida noturna mais ativa, mas o Rio é uma cidade diurna. Desde que me mudei para cá, comecei a gostar mais de festas durante o dia ou de fazer programas mais leves pela cidade. 23:30 Sempre ligo para o Tiago Batista [diretor de arte e colaborador do estilista] para conversarmos sobre ideias que tivemos ao longo do dia. É nesse horário que tenho os melhores insights, que fico mais criativo. Estou sempre pesquisando referências, fotografando a tela do computador, da TV, do celular…Até dar o horário de ir dormir. 1:30 Como falei, preciso de 8h de sono. Então, é sempre por volta dessa hora que desligo tudo e durmo.