A estilista Lenny Niemeyer - Foto: reprodução/Harper's Bazaar
A estilista Lenny Niemeyer – Foto: reprodução/Harper’s Bazaar

7:00
Quando não estou em época de provas e desfile, me dou uma horinha a mais de sono. Mas, no geral, acordo às 7 mesmo. Tomo café na cama, smpre suco, café com leite e ovos mexidos – preciso ter alguma coisa quente. Também como frutas, um mamão com mel, por exemplo. Dou uma enrolada ali – eu demoro para pegar no tranco.

8:00
Faço pilates com personal, em casa, ou caminho na Lagoa, onde moro. Então, tomo banho, me arrumo e saio. Esse processo leva mais ou menos uma hora. Sigo para a empresa, em Botafogo. Vou de táxi ou com o motorista da empresa. No caminho, aproveito para ler e responder e-mails.

9:00
Chego no escritório, ligo o computador, tomo o primeiro café e fumo o primeiro cigarro. Aí, sim, começou o dia. Tem épocas mais tranquilas, em que fico praticamente sem fazer nada. Mas nem por isso fico em casa. Prezo a filosofia adotada por uma frase que adoro: “Se a inspiração chegar, que ela me flagre trabalhando”.

10:30
Começo a organizar o resto do dia. Gosto de circular por todos os setores da fábrica, saber como estão as coisas. Vejo uma prova ali, um tecido acolá… Depois, volto para a sala e tomo mais um café antes do almoço – o segundo do dia.

O mood board das estampas e livros de pesquisa no escritório de Lenny - Foto: reprodução/ Harper's Bazaar
O mood board das estampas e livros de pesquisa no escritório de Lenny – Foto: reprodução/ Harper’s Bazaar

13:00
Hora do almoço. Mas não saio do escritório de jeito nenhum. Almoçar fora me dá a impressão de que corta meu dia. Tenho uma copa improvisada aqui, trago comida de casa ou peço alguma coisa: nada de salada, que eu não sou muito do verde, nem frituras. Nunca almoço sozinha. A Cleide, que trabalha comigo, já sabe. Quando dá por volta de meio-dia ela já começa a sondar quem vai comer comigo. Esse é um momento em que não falo, de jeito nenhum, de trabalho. Tem muita mulher aqui na empresa, ou seja, é o momento de fofoca e risadas.

13:40 Levo, no máximo, 40 minutos para almoçar. Depois, hora de um chocolatinho – o único do dia –, de tomar mais um café, fumar mais um cigarro e retomar as atividades.

14:00
A tarde rende pra caramba. É o período reservado para atender os fornecedores, ver provas de roupas, dar uma olhada no comercial. Subo, desço, vejo cor, penso na próxima coleção. É puxado! Tenho foco nos mínimos detalhes: são 15 estampas por coleção. O trabalho do estilista é um ensaio no papel, mas tenho uma equipe que me acompanha e ajuda. Não gosto da responsabilidade de ter de dar a resposta final. Às vezes, alguém do comercial me pergunta e eu gosto de discutir, saber o que eles também acham. É importante a opinião de todos. Uma estampa tem de ser unanimidade, ser bonita para todo mundo. Sou a favor do consenso, mas não gosto de reuniões com 15, 20 pessoas; prefiro as menores, mais particulares.

16:00
Gosto de ficar rabiscando. Sou muito inquieta, apressada. Dou uma olhada nas revistas, em sites de pesquisa, aproveito para colocar ordem nos vários livros antigos que tenho. Dependendo do momento, o velho vira uma nova referência. Sempre escapa alguma coisa do passado que pode render no presente/futuro. 17:00 É a hora do lanche. Eu só faço uma refeição principal, quase nunca janto (a não ser que tenha um desejo de algo, tipo uma pizza). Então, esse momento é praticamente meu jantar. Às vezes, uma barrinha de cereal, noutras um pão francês com queijo branco, ou ainda o milho da frente do colégio, que eu a-do-ro!

- Foto: reprodução/ Harper's Bazaar
– Foto: reprodução/ Harper’s Bazaar

18:30
Se não estou em época de desfile, saio por volta desse horário, fico louca para voltar para casa. Qualquer compromisso tem de ser de manhã, porque, depois do trabalho, vou direto para lá. Não levo trabalho para casa. Não tenho nem computador pessoal. Quando desligo o da empresa, acabou. No trajeto de volta, leio biografias, histórias reais. É a hora em que meus filhos também chegam – como moramos no mesmo prédio, eles sempre passam em casa.

20:30
Vejo o Jornal Nacional, depois embalo num filme ou seriado – mas só quando comprei a temporada inteira. Sou muito ansiosa, esse negócio de assistir a um episódio hoje e esperar uma semana para ver o próximo não funciona comigo. Já até tentei meditar, mas não consigo me concentrar.

22:00
Geralmente, nesse ritmo jornal-novela-seriado vou até meia-noite e durmo. Inquieta que sou, porém, às vezes posso estar morta, já preparada para dormir e ter jurado que não ia fazer nada, mas viro a chavinha e volto a ficar ligada. Se alguém me chamar pra tomar algo, eu já animo e vou até 1h30, 2h… Adoro gim tônica, mas, numa festa, minha bebida é o uísque. No fim de semana, só saio para dar um mergulho em Ipanema, no meu ponto fixo – sou santista, criada na praia, e capricorniana fiel, afinal –, ou ir comprar coisas para fazer almoços para meus amigos. Eles já sabem: adoro reuniões aos domingos. Em casa. Até minhas coisas de mulher – cabelo, unha, drenagem – são feitas lá