Uma curadoria de labels autorais para montar look de bloco com referência de moda, do esquenta ao pós-Cinzas. Foto: Reprodução

Carnaval é a época de colocar as fantasias na rua e deixar a folia tomar conta. A melhor parte é que dá para ir com tudo e, ao mesmo tempo, usar a moda como filtro pessoal: escolher cor, volume, brilho, recorte, transparência e estampa para o look dizer quem você é, sem precisar explicar. Pensando nisso, reunimos marcas autorais que têm a festa como parte do próprio vocabulário e oferecem peças para construir visuais de bloco com repertório, do começo ao pós-Cinzas.

Marc Andrade

 

 

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Marc Andrade parte da matéria para construir roupa: conecta artesanato amazônico e resíduos têxteis em peças feitas com couro de pirarucu e escamas de peixe, investigando usos que ainda não tinham sido testados no ateliê. Segundo o designer em entrevista à BAZAAR, os looks nasceram da vontade de trabalhar matérias-primas inéditas no processo, e a ideia das escamas veio após conhecer o trabalho do grupo Sereia da Penha, formado por mulheres que criam acessórios a partir desse material. A partir dessa referência, Andrade aproximou as escamas do couro de pirarucu, tratado como resíduo têxtil, e levou a pesquisa para dois looks. No repertório, também entram impressões 3D, pedrarias e plumas, recursos que aparecem em looks de Carnaval já usados por Mari Gonzalez, Marina Sena e Ludmilla.

Dercy

 

 

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Criada em 2017, em Belo Horizonte, por Alice Corrêa e Débora Cruz, a Dercy nasce do carnaval de rua e aposta na roupa como ferramenta de personagem, sem cair na fantasia pronta. Inspirada na irreverência de Dercy Gonçalves, a marca constrói um repertório que aparece nos próprios looks do Instagram: bodies e conjuntos em paetê multicolorido, listras e recortes, hot pants e tops com brilho, tule em camadas com poás e franjas, além de acessórios que fecham a narrativa, como headpieces com estrelas, flores e frutas, maxi brincos e luvas de rede. Em paralelo ao impacto visual, há preocupação com modelagem funcional e acabamento artesanal, com peças pensadas para acompanhar o movimento do corpo no bloco e, em alguns casos, atravessar o pós-Cinzas em outros stylings, do corset branco com coração em cristais e plumas na barra às variações de brilho que funcionam como uniforme de folia.

Realce

 

 

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A Realce é uma marca criada em Salvador, em 2017, por Victor Portela, que começou fazendo peças pensadas para o Carnaval, com foco em brilho, paetês e lantejoulas. Com o tempo, ampliou a produção para coleções-cápsula ligadas a outras datas festivas, como Réveillon, São João, Iemanjá e Lavagem do Bonfim, a partir da demanda de clientes que queriam esse tipo de roupa fora da temporada. O trabalho se apoia na observação da criatividade dos looks nas ruas e também em experiências em outros carnavais do país, como Recife e Rio. As peças funcionam tanto em produções completas quanto como item pontual de styling, e a marca já vestiu nomes como Preta Gil, Iza, Fernanda Paes Leme e Majur.

Retropy

 

 

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A Retropy é uma marca do Rio assinada por Rafael de Oliveira, com uma proposta jovem e despojada que encosta no Carnaval sem depender de fantasia pronta. O repertório passa por metálicos, animal print, recortes de cor, plumas e volumes, com peças que funcionam como base de looks e outras que entram para virar o ponto principal do styling, especialmente nos acessórios. A marca assume esse lugar de roupa para calor, rua e festa, com referências que misturam boemia e cultura pop e um tipo de produção que dá para montar em camadas, do bloco a outras noites do ano.

La Pomponera

 

 

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A La Pomponera é a marca de Ana Catalina Marchesi, figurinista e designer nascida na Patagônia argentina e radicada no Rio, com foco em upcycling e peças únicas feitas a partir do que iria para descarte. Com formação atravessada por arte e trabalho manual, ela constrói um repertório em que cor, bordado e acabamento artesanal aproximam moda e fantasia sem cair no óbvio, em criações sob encomenda que já vestiram nomes como Anitta e Marina Sena.

Gan.sho

 

 

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A Gan.sho é uma marca de acessórios feitos à mão que, desde 2017, trabalha com miçangagem e materiais similares, e amplia esse repertório para peças que entram direto na construção de look de Carnaval e festa: tops, corsets, cintos, harnesses, tiaras e headpieces, bonés e balaclavas, além de brincos, colares e anéis.

Aloe

 

 

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A Aloe é uma marca criada em Belo Horizonte por Sofia Penido, com foco em acessórios e vestuário feitos à mão a partir de miçangas e conchas. A proposta nasce da dificuldade da designer em encontrar peças que conversassem com a própria identidade e vira um repertório maximalista, desenvolvido em um processo artesanal lento, com pesquisa e experimentação, o que também limita a escala e aumenta o atrito com cópias. A marca ganhou tração ao aparecer em nomes como Marina Sena, Bianca Andrade e Liniker, que usou uma peça na capa do álbum “Caju”.

Ohlograma

 



A Ohlograma é a marca da designer Clarissa Romancini Viegas, criada no Rio para desenvolver peças e acessórios voltados ao Carnaval e outras ocasiões de festa, com trabalho de ateliê e produção por coleção. O projeto começou com headpieces e depois expandiu para o look completo e para itens de styling, como hot pants, tops e acessórios com aplicações e materiais como strass, paetês, tecidos metálicos, franjas e transparências, além de encomendas.