Por Sylvain Justum

O ponto de partida era animador. Para criar seu verão 2013, a Ágatha inspira-se no clipe “Gobbledigook”, da banda islandesa Sigur Rós, em que um grupo de jovens celebra a vida correndo nu por uma floresta.

Ao contrário do vídeo, a passarela da grife mostrou muita roupa. E das boas. A comunhão com a natureza reflete na cartela de cores, calcada, sobretudo, nos verdes – água, musgo e limão – e nos azuis – clarinho e turquesa -, mas também nas texturas de pele de peixe e no efeito molhado do plástico transparente. Aplicado sobre peças em jeans colorido como shorts e calças cropped, remete aos rios e cachoeiras em que se banham os protagonistas do clipe dirigido pelo fotógrafo Ryan McGinley – tem matéria sobre ele na Bazaar deste mês, não perde!  Piscadelas ao universo silvestre pontuariam ainda toda a apresentação.

Os shapes começam encasulados, ricos em plissados e dobraduras delicadas, formando volumes que se dissipam à medida que a coleção avança.

No geral, pense em uma silhueta mais reta, onde o esporte – que a grife já tinha explorado bastante em seu inverno – domina as ações, com profusão de zíperes, capuzes e recortes estratégicos.

É riquíssimo o jogo de texturas, com sofisticadas peles de salmão e pirarucu dialogando com georgette, seda, chamois e linho. Micropaetês plastificados formam pequenas escamas e trançados de cestaria, delicadas geometrias tribais.

A rede é referência fundamental, aparecendo nas tramas abertas dos maxipulls e no telado de shortinhos e jaquetas curtas com minúsculos cristais aplicados. É notável a evolução da marca de Ceiça Gioielli, sempre aplicada em oferecer um produto sofisticado, onde o requinte está nos detalhes. A monocromia de seus looks, aliada ao patchwork de materiais, tem uma força e tanto.

O Melhor look: O vestido verde limão, com sofisticada junção de peles de peixe

O Acessório: A bota de cano curto com pele de peixe e salto de acrílico e madeira.