O estilo com pegada masculina, em foto de Christian Gaul para Bazaar de novembro 2012 - Foto: Christian Gaul/ Harper's Bazaar
O estilo com pegada masculina, em foto de Christian Gaul para Bazaar de novembro 2012 – Foto: Christian Gaul/ Harper’s Bazaar

Por Sylvain Justum

Existe uma personificação para muitas expressões internacionais que você costuma ler nas páginas de Bazaar. Acredite, há mulheres reais que reúnem o effortless chic, a nonchalance, e que fazem do keep it simple seu way of life. Com o domínio do minimalismo na moda atual, no qual a dupla preto e branco nada de braçadas, o planeta encontrou nas mulheres francesas, parisienses, suas musas perfeitas da estação. Esqueça, no entanto, as linhas boxy e outras formas esquisitonas que o novo mood trouxe consigo. Aqui, valem alfaiataria e couro em silhueta slim, poucos e bons acessórios, para viver de modo prático, nada afetado, mas sempre elegante.

A atriz Brigitte Bardot (na esquerda) e a cantora Françoise Hardy já aplicavam, nos anos 1960, os mandamentos de estilo das francesas. Looks de couro transitavam entre limusine e motocicleta - Foto: reprodução/ Harper's Bazaar
A atriz Brigitte Bardot (na esquerda) e a cantora Françoise Hardy já aplicavam, nos anos 1960, os mandamentos de estilo das francesas. Looks de couro transitavam entre limusine e motocicleta – Foto: reprodução/ Harper’s Bazaar

Observe o verão 2013 de grifes como Lanvin, Chloé ou Givenchy. E, sobretudo, Saint Laurent. A controversa, mas seminal coleção de estreia de Hedi Slimane à frente da maison francesa é, ao final, um sucesso. Basta contabilizar a quantidade de vezes em que as peças mais fortes do desfile aparecem nas recentes galerias de streetstyle. O smoking, por exemplo, vestiu Anna Dello Russo e a cantora Lou Doillon, que, de gigalaço no pescoço e tudo, foi receber o prêmio de cantora do ano, em Paris. Sua meia-irmã, a atriz e também cantora Charlotte Gainsbourg, é outra fã de calças skinny – pretas, bien sûr –, que combina a peças típicas do closet de uma parisienne que se preze: blazers de ombros estrutrados, biker jackets de couro e camisas de modelagem masculina, usadas “meio nem aí”, com a parte da frente para dentro da calça e a parte de trás, para fora. Se forem da Equipment, grife do marido de Carine Roitfeld, Christian, tanto melhor. A diretora global de moda de Harper’s Bazaar, talvez a maior consumidora de saias-lápis pretas de que se tenha notícia, é ícone da nova estética. Bem, nem tão nova assim para essas mulheres todas; afinal, elas se vestem assim há tempos. Mais uma vez, o que Slimane fez foi transportar as ruas para a passarela. Bingo!

Blazer Ricardo Almeida (R$679); saia Carina Duek (R$620); sandália Alexandre Birman (R$1.550) - Fotos: reprodução/ Harper's Bazaar
Blazer Ricardo Almeida (R$679); saia Carina Duek (R$620); sandália Alexandre Birman (R$1.550) – Fotos: reprodução/ Harper’s Bazaar

Um dos segredos da parisiense é gostar de moda sem ser vítima dela. Ela prefere peças atemporais, que durem e ganhem vida ao envelhecer, do que o hit do momento. It bag com fila de espera? Non merci. A designer Inès de la Fressange, outra legítima representante, explica o conceito em seu livro La Parisienne. Nele, você fica sabendo que a parisiense, apesar de gostar de qualidade, despreza a ostentação e é superadepta do hi-lo. “Não ter cara de perua é a ideia; abaixo brilhos e etiquetas. Quando usa um jeans, nunca sabemos se é Gap, Notify, H&M ou Hermès!”, diz um trecho. Garimpar marcas novas, descoladas, e fuçar as araras do Monoprix atrás de bons básicos são seus passatempos. Nos pés, stilettos, sempre. Uma ballerine Repetto para momentos casuais, talvez, mas uma autêntica parisiense, ligada em moda, nunca calça plataformas.

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