Foto: divulgação
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Por Laura Brown

Ela sempre escondeu muito bem, mas Christy Turlington é acometida de um terrível mal: um olho “meio tortinho”. Persistiu, apesar dessa dificuldade – atingindo 30 anos como supermodel, e uma segunda vida, ainda mais super, como defensora global da saúde materna. “Disseram, certa vez, que meu rosto é simétrico”, conta. “Mas não é. Quase ninguém tem o rosto simétrico. Tenho um olho meio tortinho. Um deles é redondo, o outro é mais puxado.” E ri. “Tenho certeza de que é sinal de inteligência.” E acrescenta: “Nas sessões de foto, as pessoas tentam equilibrar meus olhos usando a iluminação”. Mas Francesco é diferente. No retrato, “um olho aparece como na vida real, e adorei. Vejo muito de mim na pintura.” Fora isso, “acrescentou vários centímetros ao meu pescoço!”.

Christy posou para o artista pela primeira vez há 20 anos. “Era uma aquarela; está no meu quarto. Está mais para um impressionismo – nos conhecíamos, mas o tempo faz tanta diferença.” Ela suspira. “Agora, estamos na fase em que tudo foi 20 anos atrás. Nós ríamos e dizíamos: ‘Ok, vamos fazer uma sessão a cada duas décadas.’ E marcamos.”

Ao ver o retrato terminado, opina: “Parece um Pontormo, um Modigliani, um Giacometti. Todos os retratistas que amo. Sabe, gosto do Lucian Freud, mas não sei se iria, digamos, correndo posar para ele”.

Aos 47 anos, Christy está muito bem. Toca sua entidade sem fins lucrativos, a Every Mother Counts; cria os filhos, Grace, 12 anos, e Finn, 10, com o marido, Edward Burns; e arruma tempo para um ou outro trabalho de modelo de alta visibilidade (além das capas de revistas, tem contratos com a Maybelline e a Calvin Klein, entre outras).

Sobre as mudanças na indústria – o surgimento da supermodel social, por exemplo, observa: “Nos anos 1980, ou 1990, essa coisa toda de supermodel era parecida; trazia mais vendas e mais atenção. Daí, foi explorada demais e passaram a detestar aquela gente. Quando uma era chega ao fim, não existe nada pior do que estar atrelada a ela”. É por isso, claro, que fez outras coisas: concluir um bacharelado com honras, estudar saúde pública na universidade Columbia e frequentar iniciativas de bem-estar antes do lançamento, em 2010, da Every Mother Counts. “Quanto mais coisas você tiver fora do mundo das modelos, melhor”, pontua. “A gente não pode ficar dependente dos criadores de tendências, sabe?”

Christy conseguiu transcender a moda e, ao mesmo tempo, permanecer nela. “Não sou de pensar tanto assim no futuro, a não ser pelo fato de que adoro os 50. É bonito; é esteticamente agradável”, fala, rindo. “Todas as boas coisas da minha vida aconteceram após os 30. Mas acho que estamos sempre nos tornando alguma coisa. Adoro as fotos que Alfred Stieglitz fez de Georgia O’Keeffe. Ele a fotografou milhares de vezes ao longo dos anos, de modo que tinha um retrato dela que não era apenas um momento: era todas as partes dela ao longo do tempo. É assim que vejo.”

Quando se pede que fale das suas inspirações para a maturidade, diz: “São tantas. Joan Didion. Nossa! Eu a adoro. Vanessa Redgrave. Gloria Steinem! Charlotte Rampling! Iman, vamos combinar…” Ela é especialmente vidrada no estilo de Joan.“Ela nunca mudou e parece totalmente moderna”. (Como Didion, pretende adotar a gola rulê. “Céline, Helmut Lang antigo, Calvins skinny”, quando chegar a hora.)

Enquanto esse dia não chega, Christy permanece um exemplo de saúde (felizmente, também tem um amor profundo pelo vinho tinto). Está terminando um cleanse de um mês. “Não tenho desejos”, explica. Ela também começou a treinar para a maratona de Boston. “Minha quinta desde que completei 42 anos!”, exclama. Além de fazer yoga regularmente, corre frequentemente duas horas. “Só para relaxar, fazer corrida de fundo e respirar.”

Li para ela uma frase de Gwyneth Paltrow, que disse que fazer 40 anos era como ganhar um “upgrade de software”. “Ah, vocês, garotas de 40 e poucos”, ri. “Precisam ver o que isso faz com o seu disco rígido.”