A nova safra da moda brasileira

Bazaar apresenta as sete marcas que estão dando fôlego renovado à cena fashion brasileira

by elav
Blazer, R$ 470, e bermuda, R$ 340, ambos Handred. Botas, R$ 3.540, Tod’s - Foto: Deco Cury/ Bazaar

Blazer, R$ 470, e bermuda, R$ 340, ambos Handred. Botas, R$ 3.540, Tod’s – Foto: Deco Cury/ Bazaar

Por Ligia Carvalhosa

Handred
Esse movimento genderless me atrai, a androginia cria um universo neutro que é muito interessante de se trabalhar.” É assim que começa a conversa com André Namitala, nome à frente da Handred, marca carioca que nasceu focada no universo masculino, mas deixou para trás qualquer definição de gênero.“A base da camisaria norteia as coleções, exploro dos modelos tradicionais até a fusão com blazers”, explica ele, sobre a alfaiataria tropical, de proporções amplas e confortáveis, de sua etiqueta.“Minhas modelagens são clássicas, a roupa é atemporal e tem personalidade, não sigo tendências.” A produção é feita à mão, no ateliê que mantém em Botafogo, e com tecidos de fibras naturais, como o linho – boa solução para o calor da capital fluminense. Em outubro de 2015, André estreou nas passarelas, em evento promovido pelo Fashion Business Rio, com o inverno 2016, de estampas geométricas inspiradas na tapeçaria libanesa (país de origem da família do estilista).E agora, ensaia uma ponte aérea rumo ao SPFW.“É um próximo passo. Admiro São Paulo como potência de moda.” À venda na Choix e na Pair, na capital paulista; na Dona Coisa e Villa Effeti, no Rio de Janeiro; e em outros pontos entre Maranhão e Goiás.

Camisa, R$ 868, e shorts, R$ 490, ambos Kika Simonsen. Mocassins, R$ 3.310, Gucci - Foto: Deco Cury/ Bazaar

Camisa, R$ 868, e shorts, R$ 490, ambos Kika Simonsen. Mocassins, R$ 3.310, Gucci – Foto: Deco Cury/ Bazaar

Kika Simonsen
2015 foi o ano da artista plástica e designer gráfica de formação, Kika Simonsen. Ela lançou a marca homônina em janeiro e, apenas nove meses depois, abriu a primeira loja, no shopping JK Iguatemi, ainda desenhou óculos estampados à mão em parceria com a label greco-italiana Kyme e já programa sua primeira pop up fora do Brasil. O destino é guardado a sete chaves, mas, por aqui, é possível encontrar suas peças também na Mares e no e-commerce Gallerist. Kika encontrou na georgette de seda e no crepe de chine a base para explorar os traços que rabisca desde a infância. “Cada pincelada e composição conta a história de alguma vivência que tive. Achei uma maneira de explorar minha paixão pela arte de forma mais dinâmica”, diz. Apegada às tradições, a paulistana de 28 anos valoriza os processos manuais e começa cada coleção traduzindo suas inspirações em telas. A partir daí, as ilustrações são digitalizadas e se transformam em estampas. Amiga de Lala Rudge,Carol Celico e Beta Whately, a estilista viu seus vestidos ganharem destaque nas redes sociais. 2016 não deve ser muito diferente…

À esq., blusa, R$ 905, usada sobre segunda pele, R$ 283, e saia, R$ 632, ambas Luisa Farani. Sandálias, R$ 449, Birkenstock. À dir., top, R$ 488, e saia, R$ 722, ambos Luisa Farani. Sandálias, R$ 369, Papillio by Birkenstock - Foto: Deco Cury/ Bazaar

À esq., blusa, R$ 905, usada sobre segunda pele, R$ 283, e saia, R$ 632, ambas Luisa Farani. Sandálias, R$ 449, Birkenstock. À dir., top, R$ 488, e saia, R$ 722, ambos Luisa Farani. Sandálias, R$ 369, Papillio by Birkenstock – Foto: Deco Cury/ Bazaar

Luisa Farani
Com sua marca homônima lançada no fim de 2014, Luisa Farani reforça a safra de estilistas brasileiros adeptos de uma moda sem excessos.“São peças sóbrias, curingas para uma mulher chic e despretensiosa”, explica. E o melhor exemplo disso está em seu inverno 2016 – sua terceira coleção.A camisa assume posição de destaque, em releituras que agradam tanto mulheres em busca de peças básicas (mas nem tanto) quanto as que querem um diferencial nos looks de festa – caso do vestido com jeito de camisola renascentista, que traduz o potencial da marca no segmento. “Vendo bem para um nicho que procura peças lisas e com corte preciso”, conta a designer, que está desenhando seu primeiro vestido de noiva. Conjuntos de organza com punhos esportivos também são aposta nesta coleção e renovam o repertório, ao lado de tecidos como jacquards flocados, sedas e uma nova leva de tricôs. Há um ano e meio pesquisando sobre wearable technology e impressão 3D, temas de seu mestrado, no Polimoda International Institute of Fashion, Design and Marketing, em Florença, Luisa planeja, em breve, aplicar a tecnologia em suas criações.À venda na Areaoito e na Choix, em São Paulo; Dona Coisa, no Rio de Janeiro; Ortiga, em Brasília; e no e-commerce Gallerist.

Echarpe, R$ 1.500, calça, R$ 580, e luvas, tudo Ratier - Foto: Deco Cury/ Bazaar

Echarpe, R$ 1.500, calça, R$ 580, e luvas, tudo Ratier – Foto: Deco Cury/ Bazaar

Ratier
Até fins de 2014, Renato Ratier era mais conhecido como produtor musical, DJ e fundador do clube D.Edge. Mas, após o lançamento do Bossa, em São Paulo, mistura de restaurante, estúdio de música, bar e loja da marca que carrega seu sobrenome, conquistou seu espaço na moda brasileira. A ideia é simples: oferecer ao público que frequenta a cena noturna paulistana produtos que tenham relação direta com tal estilo de vida.“É uma roupa fácil e confortável, com materiais naturais e cartela de cores neutra”, disse ele, na época do lançamento, em entrevista à Bazaar.“Não quero me prender a coleções de verão ou inverno, quero oferecer peças que possam ser usadas em todas as estações.”A fórmula agradou e, em outubro passado, a grife estreou no SPFW. Na passarela (e em fevereiro, nas araras), patches de couro em camadas, moletom com tratamento deluxe, alfaiataria assimétrica e peças que não saem de linha reafirmam a vontade de criar um lifestyle – e não só tendências. Atenção especial também às golas, luvas, mangas e aos sapatos da Baum-Haut, marca de Caroline Baum (ex-Gloria Coelho e Pedro Lourenço).

 

Top, R$ 585, saia, R$ 900, e casaco, R$ 2.915 - Foto: reprodução

Top, R$ 585, saia, R$ 900, e casaco, R$ 2.915 – Foto: Deco Cury/ Bazaar

Assis

O nome de Gonçalo Assis pode ainda não ser reconhecido, mas seu currículo salta aos olhos. Aos 16 anos, deixou o Brasil para estudar inglês na Universidade de Kentucky, nos EUA, e, de lá, mudou-se para Chicago e se formou em Moda no Illinois Institute of Art. Aos 20, chegou em Nova York para trabalhar ao lado de Marc Jacobs, por um ano, e outros seis na equipe de Jill Stuart. Em 2006, recém-chegado a São Paulo, virou braço-direito de Tufi Duek, passou pelo estilo da Iódice e hoje, aos 36 anos, inicia carreira solo. Lançada na segunda metade de 2015, a Assis carrega referências do sportswear americano, mas com o perfume sexy que pede a moda nacional. Em sua primeira coleção, conjuntos de tweed, vestidos de veludo cristal e crepe de chine são contraponto a tops de vinil, mantôs de lã com estrutura de alfaiataria e estampas inspiradas no trabalho do fotógrafo americano Sam Haskins.“Minha roupa é limpa, cosmopolita, para ser usada e reinterpretada de acordo com o estilo de cada consumidora.”À venda na Empório Lolitah, em Goiânia; e Lisieux Brasileiro, em Fortaleza.

À esq., vestido, R$ 2.116; à dir., vestido, R$ 1.840, ambos Tanden; e sandálias, R$ 369, Birkenstock - Foto: Deco Cury/ Bazaar

À esq., vestido, R$ 2.116; à dir., vestido, R$ 1.840, ambos Tanden; e sandálias, R$ 369, Birkenstock – Foto: Deco Cury/ Bazaar

Tanden
Carlos Cardoso trabalhou por mais de uma década ao lado de André Lima, quando conheceu a cearense Mila Menezes, recém-chegada da Itália com um diploma de Moda na bagagem. Juntos, lançaram, em 2015, a Tanden, responsável por redefinir a moda festa brasileira. O motivo são vestidos limpos, marcados por recortes e decotes estruturados, graças ao uso de barbatanas de metal superflexíveis, que dão sustentação aos tecidos fluidos.“Queremos fazer uma moda festa sem excessos e que não seja datada”, explica Carlos, durante encontro no showroom, em São Paulo. Seda, organza, tafetá e crepe são os principais tecidos, trabalhados a partir de bases de alfaiataria em verdadeiro exercício de construção arquitetônica, com fitas e faixas. “Nossa roupa não está restrita aos salões, são peças que vão do dia a dia ao black tie”, explica Mila, prova viva de que os modelos da grife carregam boa dose de versatilidade, como mostram as fotos do Instagram da etiqueta. À venda no ateliê dos estilistas, no Itaim, em São Paulo, e também sob medida.

Da esq. para a dir., vestido, R$ 2.985; camisa, R$ 985; regata, R$ 485; e saia, R$ 950. Tudo Modem. Sapatos, R$ 4.100, Louis Vuitton. Top, R$ 2.325, e pantacourt, R$ 2.980, ambos Modem. Sapatos Louis Vuitton - Foto: Deco Cury/ Bazaar

Da esq. para a dir., vestido, R$ 2.985; camisa, R$ 985; regata, R$ 485; e saia, R$ 950. Tudo Modem. Sapatos, R$ 4.100, Louis Vuitton. Top, R$ 2.325, e pantacourt, R$ 2.980, ambos Modem. Sapatos Louis Vuitton – Foto: Deco Cury/ Bazaar

Modem
Com coleções sem tema específico e focadas no tecido e na modelagem de peças que só parecem básicas, mas não são, a Modem, dos mineiros André Boffano e Sam Santos, desponta entre as novas marcas made in Brasil. Criada em 2015, quando cobriu a cidade de São Paulo com lambe-lambes, tem como pilares as linhas retas da alfaiataria e as formas orgânicas, trabalhadas em couro, tricô, jeans e jacquards, com zíperes e ilhoses como acessórios.“Em tempos de crise, as pessoas não querem o efêmero, mas a durabilidade atemporal”, explica André, estilista formado pela École de La Chambre Syndicale de La Couture Parisienne e ex-assistente de estilo da Givenchy.“Modem é um aparelho que detecta vários sinais para transformá-los em uma nova onda. Nós fazemos a mesma coisa, por meio de pesquisas nas artes plásticas, na arquitetura e na arte gráfica”, explica Sam. No inverno 2016, referências às obras de Alexander Calder e Henri Matisse se misturam às formas práticas que compõem o mix urbano-cool e clean da grife. Para este ano, prometem uma coleção de joias e um possível desfile em formato pocket, embora os convites para integrar as semanas de moda nacional, como Bazaar sabe, sejam muitos.