Desfile Fernanda Yamamoto/Foto: Márcio Madeira

Por Sylvain Justum

Fernanda Yamamoto deixa um pouco de lado sua queda por vestidos volumosos e aposta num inverno ultra decorado, onde prevalecem peças coordenáveis de silhueta seca e austera. Sua homenagem ao Renascimento é jovem e atual, adaptada para as ruas e sem vergonha de ser over. O exagero de bordados, recortes e estampas, usados em total look ou (des)combinados em perfeita harmonia,  ganha bossa com a pegada esportiva adotada no desfile. Graças, também, ao styling preciso de Daniel Ueda, que adora experimentar misturas e acertou a mão organizando a bagunça fashion.

A diversidade de materiais surpreende. Jacquards que reproduzem pinturas do século 15, fios de lurex, náilon artesanal, tricoline e lã de alfaiataria ganham bordados e aplicações preciosas, como a pedraria navete e os canutilhos pretos que iluminam detalhes das mangas raglan de jaquetas e casacos.

A elegante combinação de bege e preto deu a eles uma pegada esporte chic interessante, para combinar com os vestidos ou saias com prints de pinceladas metalizadas.

A parka de náilon e a profusão de capuzes contrastam bem com camisas e saias-lápis mais comportadas, bem no mood da estação, mostrando que, sabendo misturar a tendência não envelhece, não.

MELHOR LOOK: O vestido-casaco inteiramente bordado de pedrarias em vermelho e branco, cheio de brilhos, mas que perde a pompa por conta da ankle boot de solado trator, usada com meias grossas. Para arrematar, touquinha bordada, para um look grunge deluxe.

ACESSÓRIO: Os gorros bordados são preciosos. O de canutilhos pretos serve até para uma escapada noturna

CORES: Tons sujos e envelhecidos das pinturas a óleo. Leia-se: bordô, verde militar – o bloco que os combina com preto é bem lindo -, vermelho, marrom, marinho, laranja, camelo, dourado e ouro velho.