
Schiaparelli Haute Couture 2026 – Foto: Divulgação
Deus não dá asas à cobra, mas Daniel Roseberry, sim – e ele adora brincar de divindade. Estilista da Schiaparelli, já foi e voltou até do Inferno de Dante com lobos e leões, não lembra? Agora, para essa temporada de alta costura, experimentou fazer suas próprias criaturas. As “quimeras”, como ele mesmo descreveu, começaram já no convite para o desfile: uma cabeça de cobra alada e dourada. Outras, na passarela, ainda mais reais – duas “irmãs-escorpião”, com caudas arqueadas de tule, e uma tal “Isabella Blowfish”, conjuntinho bordado e transparente inspirado nos baiacus e na lendária editora de moda Isabella Blow, amiga íntima de Alexander McQueen.
Esses dois fazem parte de uma memória recente da moda que, por pouco, não vira delírio coletivo. Será que era bom demais para ser verdade? Sonho, fantasia, plumas, pesadelo… sustos que a Schiaparelli abraça nessa estação e, por isso, a sensação sinistra e agradável de déjà-vu. Não é só o típico surrealismo, mas uma miragem e alucinação que constrói beleza a partir de monstros. É o mais fino horror!
Já são quase sete anos desde que Roseberry começou na maison e sua mitologia ainda é coisa rara na moda, mas segue o padrão clássico do “paganismo estético”: tem devotos fervorosos e perseguidores violentos. Por enquanto, cansou de pregar romantismo. Quer mesmo tocar o terror!
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