Por Sylvain Justum

Um verão de formas longilíneas e geométricas, onde prevalece o embate entre velho, novo, orgânico e tecnológico.

Assim apresenta-se a coleção da Filhas de Gaia, que alterna minimalismo e exagero em looks nos quais construção é palavra-chave. Mas não só.

Claro que salta aos olhos o esforço em relativizar a sensualidade de sua mulher, buscando fendas estratégicas que fujam do óbvio, estruturas vazadas e volumes localizados de forma inusitada, mas é nos prints que reside o melhor segredo da coleção.

Moléculas rivalizam com placas de metal nas macroestampas de efeito optical, dividindo os louros com a gola jabô impressa no tubinho branco ou no top verde com calça cigarrete coberta de bolotas.

É interessante o trabalho telado que forma mini quadriculados, textura que pontua todo o desfile. Sempre sexy, a cliente da grife pode também recorrer às transparências do gazar, outro recurso bem empregado pela dupla criadora, Marcela Calmon e Renata Salles.

Fica a impressão, porém, que as meninas complicam uma idéia relativamente simples e que a tal da sensualidade, muitas vezes, está em propostas clássicas como a do look de camisa branca e saião laranja, a la Yves Saint Laurent.

Algo já visto, talvez, mas extremamente eficaz quando se trata de unir elegância e sex-appeal. Arriscar é bom, desde que seja real.

Bazaar ama: os importantes colares de pedras de vidro lapidado como se fossem jóias verdadeiras.