Foto: Divulgação
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Por Luigi Torre

Elas são práticas, resistentes e superversáteis. Daquelas que funcionam em (quase) todas as situações, bastam acessórios e styling certos. Podem ser novas, de tecidos tecnológicos ou nobres, mas, se forem vintage, com aparência envelhecida e customizadas com patches, são tão desejáveis quanto. Estamos falando da jaqueta militar, peça-chave desta temporada e cuja influência extrapola o próprio item, influenciando todo o nosso guarda-roupa.

Mas vamos por partes. Foi durante a semana de moda de Paris,em março passado,que a tendência começou a tomar forma. John Galliano, reimaginando uma versão romântica da Maison Margiela,transformou a jaqueta militar em sobretudos, blazers e coletes com uma série de recortes, patches e desconstruções, no melhor estilo da marca. Miuccia Prada, numa de suas melhores coleções para a Miu Miu, também deu cara nova à peça: desfilou duas versões, uma acinturada, com mangas felpudas, e outra alongada, toda desestruturada.

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Corta para o SPFW, e o militarismo também marchou nas passarelas nacionais. Não, claro, sem alguns toques tropicais, outro tema quente da estação. Melhor exemplo fica com a Ellus e seu verão havaiano. “O Havaí tem um passado militar muito forte, por isso incorporamos alguns elementos desse mundo na coleção”, explicou o estilista Rodolfo Souza, durante preview do desfile.As referências aparecem em jaquetas bomber de comprimento cropped,calças cargos e até vestido tomara-que-caia utilitário.

E a combinação com florais e estampas gráficas supercoloridas é a saída perfeita para fugir do óbvio na hora de adotar o look. A ideia é investir no contraste. Como peças militares já imprimem casualidade e funcionalidade, combinar com peças mais sofisticadas, como vestidos de seda ou camisas da Miu Miu, ou os tops e vestidos superdecorados da Margiela.

Afinal, de severidade e autoritarismo já bastam as manchetes dos jornais. O espírito, aliás, é bem parecido com o que fez do uniforme de soldado um dos símbolos de resistência, paz, liberdade e da contracultura nos anos 1970. Pense nos looks de John Lennon eYoko Ono, ou da jovem e ativista Jane Fonda (na época, apelidada de Hanói Jane). A ideia é a mesma, só que atualizada para o século 21.