Alber Elbaz: relembre algumas falas inspiradoras do designer
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Alber Elbaz, designer que ficou conhecido por seu trabalho à frente da Lanvin e que conquistou uma horda de admiradores, faleceu neste sábado (24.04), em um hospital em Paris, aos 59 anos. Segundo a Compagnie Financière Richemont, empresa com a qual ele lançou sua última marca, a AZ Factory, sua morte foi causada por complicações da Covid-19.

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Em janeiro deste ano, Elbaz fez um retorno triunfante ao mundo da moda, depois de um hiatus de cinco anos desde que saiu da Lanvin, e lançou sua marca em um vídeo que misturava a apresentação de sua peças – criadas para solucionar problemas fashions -, entretenimento e tecnologia.

Nascido em Marrocos e criado em Israel, o designer mudou para Nova York no meio da década de 1980. Na Big Apple, trabalhou em uma marca de noivas e na Geoffrey Beene, até que entrou para o mercado internacional quando foi convidado para comandar a Guy Laroche, em 1996.

Este último trabalho lhe rendeu a oportunidade única de comandar o ready-to-wear da Saint Laurent, trabalho que executou por três temporadas – até que o grupo Gucci assumiu a marca e Tom Ford mudou o comando de todas as grifes. Depois de trabalhar por uma temporada na Krizia, em Milão, Elbaz se manteve afastado do mundo da moda por um ano.

Até que em 2001, Elbaz foi contratado pela Lanvin. A marca, na época fora do radar de importância, logo chamou a atenção pelos designs elegantes e femininos apresentados pelo designer. A grife acabou se tornando uma das mais importantes casas de Paris. Seu trabalho de rejuvenescer a marca foi baseado no ethos da mulher e no vestido de coquetel.

“Tratava-se apenas de dar conforto às mulheres”, disse ele sobre seus vestidos com zíperes industriais e bordas rústicas, duas das assinaturas de design que ele estabeleceu para a Lanvin. Tênis, sapatilhas e bijuterias grossas estavam entre seus outros designs de sucesso.

Os destaques do retorno de Alber Elbaz para as semanas de moda
Foto: Divulgação

Depois de sair da Lanvin, em outubro de 2015, Elbaz trabalhou com algumas colaborações no mundo da moda. Até que, na última temporada de alta-costura, apresentou a primeira coleção de sua nova marca – que se dividia em três projetos, sendo os vestidos que se adaptam a qualquer silhueta o primeiro deles.

Sua personalidade e bom-humor, somadas à sua sabedoria, o faziam uma personalidade única no mundo da moda, amado por seus colegas, outros estilistas, comunicadores deste universo e qualquer pessoa que cruzasse com sua sábia filosofia de vida. Para homenageá-lo, veja algumas de suas frases mais inspiradoras:

Sobre a AZ Factory

“Eu quero cada vez menos ver o vestido, e cada vez mais ver a mulher que o usa.”

Sobre colaborações

“Sei que o pior inimigo de muitos estilistas é o CEO. Acho que, de certa maneira, o CEO mais frustrante irá me dizer que não podemos controlar o designer. Não achava que se tratasse de controlar os designers e não se tratava de inimigos, porque não estamos em uma guerra. É paz. Acredito que é tudo uma questão de colaboração. É tudo uma questão de diálogo. E é isso que a moda está procurando.”

Sobre a importância da moda

“Minha conclusão hoje é que a moda é muito importante, hoje talvez mais do que nunca, porque nós, designers de moda, talvez tenhamos um novo papel. Nós temos a obrigação de trazer beleza para o mundo, de fazer mulheres se sentirem melhor, de fazer mulheres se sentirem bem, de elevá-las. Hoje, estava na Barneys [em Nova York] por algumas horas – nós tínhamos um trunk show. Estava ajudando uma mulher e ela me disse, no final deste pequeno encontro que tivemos, ‘vou ficar quebrada, mas estou feliz’. Acho que essa é a principal ideia do que a moda vai fazer hoje e estou dizendo que, quando tudo está quebrando, talvez não seja uma má ideia investir em um bom vestido.”

Sobre desejo

“Estava trabalhando com Geoffrey Beene quando vim para a América. Não falava inglês muito bem. Me lembro que um dia disse ao Sr. Beene, em um fitting, ‘Sr. Beene, esse vestido é tão comercial’. Mr. Beene ficou laranja e me disse, ‘Alber, nunca use a palavra comercial. Diga desejável.’ Aquele foi o momento que eu soube que tinha sido intriduzido ao mundo do desejo.”

Sobre a essência da Lanvin

“Quando olhei para os arquivos, a palavra que me veio à cabeça foi ‘desejo’. Então, trabalhei em torno disso e disse ‘Você sabe que vamos fazer coleções para mulheres, vamos realmente infatizar o desejo, o desejo na moda, o desejo no design.’ Eu gostava muito de design, porque vim da casa de Geoffrey Beene, que era especialista em design, e então empurramos também para o desjo, para mulheres, para realidade, para ser relevante. Acho que ser relevante é a história da minha vida.”

Sobre vestidos

“Acho que estava muito atento às mulheres e vejo que cada vez mais as mulheres estão mudando. Seu lifestyle está se tornando mais complexo e mais difícil diariamente. Então estava sempre tentando facilitar suas vidas. Por exemplo, vestidos da primeira coleção, muitas pessoas disseram que eles eram muito românticos, eu não via o lado romântico dos vestidos; eu via a facilidade, a simplicidade. Eu via acordar de manhã e ter seus folhos, seu marido e sua mãe no telefone, e seu trabalho te ligando, isso foi antes das mensagens de texto, tipo, dez anos atrás, agora fazem isso também. Mulheres precisam de algo um pouco mais fácil em seu guarda-roupa, ao invés de pensar toda manhã o que fica melhor com o que, elas simplesmente fecham o zíper e, à noite, abrem o zíper.”

Sobre modernidade

“Toda vez que penso em algo moderno, sempre penso em algo horrível e feio, e o que estou tentando fazer é pensar que moderno pode ser bonito. Modernidade não é couro preto, não são 17 zíperes, não é rock’n’roll ou heavy metal. Modernidade, para mim, é beleza, emoção, conforto e atemporalidade. Quero dizer, ver uma mulher sentada em 50 metros de tule, não tenho certeza se é moderno.”

Sobre pré-coleções

“Acho que fui o primeiro a começar a apresentar pré-coleções, o que foi o maior erro da minha vida. Fiz uma apresentação no Hôtel de Crillon, chamei cerca de dez editores e alguns revendedores e pensei o quão maravilhoso é apenas ter um chá com lindas flores e falar sobre flores e moda. E então mais pessoas quiseram ir e eu fiz uma segunda apresentação, então mais pessoas quiseram ir e tivémos que transformar aquilo em uma temporada. Agora, o fato é que quase tudo que está nas lojas é sobre essa pré-coleção.”

Sobre duvidar de si mesmo

“Queria poder te falar: oh, está melhorando. Sempre me lembro uma noite antes de um desfile de alta-costura que vi o Sr. Saint Laurent, lhe perguntei como ele estava se sentindo e ele disse ‘Muito mal!’ E eu lhe perguntei ‘Por que? Mas depois de todos esses anos?’ E ele respondei ‘Por causa de todos esses anos.” E eu pensei o quão esperto, inteligente e sensível aquela resposta era, e estou usando-a.”

Sobre instinto

“Trabalho principalmente por intuição. Cada vez que penso demais ou tento racionalizar cada problema, não funciona. Acho que intuição é a essência desse métier. Sei que estamos entrando em marketing e tudo isso, mas quer saber? O fato de uma mulher comprar uma camisa branca na última temporada não significa que você vai vendê-la na próxima… Isso é o que os designer fazem – caso contrário, quem precisa de nós?”

Sobre pessoas da moda

“Acho que somos uma indústria linda. Nós somos uma das indústrias mais agradáveis do mundo, sabia? Às vezes, vou a festas de diferentes indústrias – e não vou citá-las para não ferir ninguém. Mas posso te dizer que moda – mesmo que nós sempre pareçamos falsos, afetados, ignorantes e todas as opções acima, talvez – preciso te dizer que na moda conheci muitos grandes amigos, pessoas boas, leais, espertas, talentosas e que trabalham duro.”

Sobre sonoridade

“Nós, designer, começamos como costureiros com sonhos, intuições e sentimentos. Começamos com ‘O que as mulheres querem? O que elas precisam? O que podemos fazer para deixar suas vidas melhores e mais fáceis? Como podemos deixar uma mulher mais bonita?’ Isso é o que nós costumávamos fazer. Depois, nos tornamos diretores criativos, então precisamos criar, mas, principalmente, dirigir. E agora nós precisamos nos tornar criadores de imagens, garantindo que fique bem nas fotos. A tela precisa berrar ‘baby’ – essa é a regra. E volume é a novidade. Volume é o novo cool, e não só na moda. Eu prefiro sussurrar. Acho que vai mais fundo e dura mais.”