Em seu ateliê, no Jardim Paulista, Vanessa (à esq.) usa vestido de couro e crochê, R$ 8.580. Com ela, as amigas e clientes fiéis Luciana Siaulys (sentada, de casaco, R$ 15.180, e calça de crochê, R$ 5.980) e Suzana Gullo (de vestido, R$ 6.180) - Foto: reprodução/Harper's Bazaar
Em seu ateliê, no Jardim Paulista, Vanessa (à esq.) usa vestido de couro e crochê, R$ 8.580. Com ela, as amigas e clientes fiéis Luciana Siaulys (sentada, de casaco, R$ 15.180, e calça de crochê, R$ 5.980) e Suzana Gullo (de vestido, R$ 6.180) – Foto: reprodução/Harper’s Bazaar

Por Vívian Sotocórno, com fotos de Thiago Justo

No inverno passado, quando Vanessa Montoro introduziu, sem alarde, peças de seda em sua coleção, algumas antenas foram ligadas. Afinal, suas clientes fiéis, devotas do estilo romântico e handmade pregado pela estilista, já demonstravam vontade de ampliar o repertório ao pedir criações que iam além dos tradicionais tradicionais vestidos de crochê.

Motivada pelo sucesso não planejado da seda, Vanessa estreia, nesta estação, uma linha que traz o couro como matéria-prima principal, em camisetas, macacões, saias-lápis e vestidos em que o crochê aparece apenas como detalhe, na barra ou em recortes laterais. A clássica cartela de cores adocicadas também ganha upgrade: motivos tribais cheios de energia colorem o couro e novas versões das peças crochetadas.

“Havia um mood étnico pairando no ar e tive vontade de trazer isso para a marca. Completo dez anos de grife este mês, é preciso ter sempre novidades em meio aos meus clássicos. Mas meu DNA segue intacto – mesmo nas peças de couro, o crochê está sempre presente”, conta a estilista.

Apesar de recém-lançada, a coleção já tem até best seller: a t-shirt de couro preta e crochê colorido, quase flúo, na lateral. “Tinha feito o mesmo modelo na edição passada, na seda. Já virou um clássico da marca. É a ‘Hering’ da Vanessa Montoro”, brinca. Um dos xodós de Vanessa, um amplo casaco de colorido tribal, levou 60 dias, na mão de uma mesma crocheteira, para ficar pronto. “É uma das peças mais especiais que já criei, mas sua produção é muito complexa. Acabou vendida antes de ficar pronta e, apesar dos pedidos de outras clientes, provavelmente será filha única”, revela a estilista.

E nesse ritmo slow fashion, Vanessa produz cerca de 25 vestidos por mês, vendidos exclusivamente no ateliê próprio, uma charmosa casa no Jardim Paulista, tão aconchegante quanto o lar da própria designer, um refúgio cercado de verde próximo ao Parque do Ibirapuera. Apesar dos convites constantes, uma loja ou exportações não fazem parte dos planos. Sabiamente, Vanessa percebeu logo que a visita ao ateliê, no qual as clientes são recebidas por ela mesma, com o inconfundível cheirinho de baunilha e os docinhos que chegam, fresquinhos, diariamente, é parte importantíssima da experiência de compra.

Confira peças da atual coleção em nossa galeria: