Alex Fury/Foto: Luciana Prezia

No último dia da 6edição do Pense Moda, Harper’s Bazaar bateu um papo sobre moda com Alex Fury, atual editor da revista Love. Confira:

Harper’s Bazaar – Você trabalhou por muitos anos no Showstudio, uma plataforma online focada em vídeos. Como foi a transição para um veículo impresso?
Alex Fury – Atualmente é mais comum os editores migrarem do impresso para o online, então foi interessante fazer o caminho inverso, mas são mundos muito diferentes. Eu ainda trabalho no online, com o site da Love e acredito que um dos motivos de me contratarem foi justamente para trazer uma força digital. Mas, quando entrei, conhecia muito pouco da linguagem de revista – como boneco, página simples, etc. -, então foi bacana lidar com isso. Em uma revista, você precisa contar uma história do começo ao fim, enquanto num site não existe essa necessidade, então foi interessante aprender como construir esse objeto.

HB – Muitos acreditam que o digital irá dominar e que as revistas impressas estão fadadas ao esquecimento. Você acredita nisso?
AF – Eu acho que as pessoas acessam sites e compram revistas por razões diferentes. Se você pega um jornal, que precisa entregar a notícia com rapidez, não existe melhor meio do que a internet e por isso vemos publicações como a Newsweek se tornarem totalmente digitais. Mas, ao mesmo tempo, quando você pensa em uma linda imagem, deve entender que ela funcionará melhor impressa em um papel de qualidade. Também não se pode deixar de lado a tatilidade de uma revista e o seu poder de longevidade. Acredito que as revistas devem ser pensadas como um objeto precioso, que as pessoas irão querer colecionar e guardar para sempre. As publicações que conseguirem se imaginar dessa forma, trabalhando suas qualidades e expressando um ponto de vista único, irão permanecer.

HB – Voce é critico de moda. O que acha das reações negativas de estilistas e marcas em relação as críticas?
AF – Acredito que há uma dificuldade para os estilistas aceitarem críticas pois estão muito envolvidos na coleção e, como investiram tudo de si naquilo, muitas vezes não conseguem separar as coisas. Além disso, a moda é muito subjetiva; eu posso achar algo bonito e você não. Pessoalmente, gosto dessa diversidade de opinião. Adoro sair de um desfile e discutir sobre uma coleção. Ao mesmo tempo, existem marcas que já aprenderam a lidar com isso, como Tom Ford, que escreve cartas para os jornalistas agradecendo pelas críticas. Acho isso bacana e acredito naquele velho ditado: “você nao pode agradar todo mundo o tempo todo”. Algumas marcas deveriam se lembrar disso.

HB – Na sua opinião, quais são os designers britânicos que devemos ficar de olho no momento?
AFJ.W. Anderson, que acaba de  ser contratado pela Versus para criar uma coleção cápsula, que será apresentada em fevereiro; Mary Katrantzou, SiblingMaarten van der Horst, Jonathan Saunders e Simone Rocha.

HB – Você acompanha a moda brasileira? Gosta do trabalho de algum designer?
AF – Sim, sempre quis cobrir uma semana de moda brasileira, mas não consigo por incompatibilidade de agenda. Adoro o trabalho de Lucas Nascimento. Faço parte do British Fashion Council e acompanho suas coleções desde o inicio, temos muita sorte de tê-lo em Londres. Também assisto sempre os desfiles do Pedro Lourenço e acho ele um estilista muito talentoso. Alexandre Herchcovitch é outro grande nome da moda brasileira.