Balenciaga, Verão 2014 (Foto: reprodução)
Balenciaga, Verão 2014 (Foto: reprodução)

Por Giuliana Mesquita

Foi bom enquanto durou. Alexander Wang deixa o cargo de diretor criativo da Balenciaga, como comunicado oficialmente na manhã desta quarta-feira (29.07). Escolhido em 2012, o desfile de inverno 2013 causou burburinho. Mas não o mesmo baque que era causado por Nicolas Ghesquière em qualquer um dos seus desfiles frente à casa. Foram quinze coleções entre Ready-to-Wear, Resort, Pre-Fall e a linha masculina, mas o relacionamento entre o estilista e a Balenciaga começou a esfriar no começo de julho, quando o WWD anunciou, pela primeira vez, que os contratos talvez fossem revistos.

Alexander Wang trouxe seu toque street à maison fundada por Cristóbal em 1917 — muitos acharam admirável, outros torceram o nariz. Isso não quer dizer que o estilista não respeitava os códigos da carga. Estes, aliás, estavam todos lá: os casacos coccoon, as jaquetas com formas arredondadas e golas levantadas, pepluns estruturados. Toda a referência ao melhor do trabalho do fundador da marca estava lá. Faltava emoção.

A questão é que talvez seja muito difícil — há quem dirá impossível — reinterpretar, com sucesso, os códigos da marca pela segunda vez. O trabalho feito por Nicolas Ghesquière nos seus quinze anos como diretor criativo da Balenciaga já havia visitado e revisitado aqueles arquivos. O que tornou a tarefa de Wang ainda mais árdua.

Especula-se que o contrato de Wang está sendo revisto dado o sucesso de Alessandro Michele na Gucci, que aumentou 4,6% das vendas da marca em três meses. Seguindo essa mesma lógica, há rumores de que a Kering deve escolher um talento da casa, sem nome consolidado no mercado ainda, para assumir a Balenciaga. As negociações para encontrar esse sucessor ainda estão no começo. O último desfile de Wang frente à marca acontece na Semana de Moda de Paris de verão 2016.