Foto: Agência Fotosite
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Por Luigi Torre

Alexandre Herchcovitch dá continuidade às ideias e trabalhos apresentados no seu último verão, com coleção prática e poética ao mesmo. O ponto de partida é uma ideia de roupas utilitárias de jardinagem, combinando tecnologia têxtil com a delicadeza e feminilidade das flores.

Pense na boa alfaiataria do estilista, cortada em jardineiras ou combinadas a flanelas xadrez plastificadas. Ou nos vestidos e saias de látex, que de tão fino lembram sedãs, nos vestidos com bordados de flores, com recortes geométricos sobre náilon e nas calças tracking e nos doudounes de veludo de seda.

Aqui Alexandre trabalha com construções elaboradas, mas atinge resultados de máxima simplicidade e pureza visual. Não há nada de complexo em sua moda. A imagem é fácil, rapidamente compreendida e, em grande parte por isso, extremamente desejável. São roupas para todo dia e toda hora. Roupas reais. Mas com poesia e profundidade de significados.

E é aqui que Herchcovitch se destaca dos demais. A moda pede por simplicidade – é fato. O normal e usual agora são cool. Porém, de normal e usual esta coleção não tem nada. É rica em pesquisa, tecnologia e técnica e, apesar da aparente simplicidade cotidiana, carrega todos os elementos definem sua identidade.