Ana Khouri lança ear pieces que desafiam a gravidade

Joalheira baseada em Nova York tem entre seus clientes estrelas como Rihanna e Lady Gaga

by Silvana Holzmeister
Foto: Divulgação

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Ana Khouri, 38 anos, ainda era estudante de Artes, em São Paulo, quando começou a pensar em como escultura e joalheria poderiam se entrelaçar e extrair dessa união criações que fossem uma espécie de extensão do corpo. A partir dessa visão, ela chegou a joias com design que encaixam suavemente e de maneira anatômica, a exemplo dos novos ear pieces, lançados durante a última semana de moda de Paris.

“Minhas peças são mais bem compreendidas quando usadas, pela conexão com o usuário”, explica a brasileira de seu QG, que, desde 2012, está baseado em Nova York.

Avessa à ideia de coleção, conta que prefere pensar em continuidade. “Tudo está intrinsecamente conectado com meus trabalhos anteriores. A ideia é a evolução contínua”, revela. Nos brincos mais recentes, fios de ouro com e sem diamantes flutuam ao redor da orelha. Há, ainda, versões arrematadas com pérolas gigantes e de uma impressionante leveza. “Fazem parte de uma experiência com shapes. Começo esculpindo as formas. Depois, adiciono funcionalidade e exploro diferentes materiais, técnicas e possibilidades, transformando-os em arte vestível”, diz Ana.

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A proposta é permitir que as mulheres destaquem sua própria beleza. “Algumas pessoas acreditam que cuidar de si mesmas ou adorná-las é um ato de amor próprio e sagrado. Há muitas maneiras de analisar isso. Para mim, é sobre encontrar novas maneiras de conectar joias com todas as partes do corpo.”

É essa visão particular do poder de uma peça, e o talento para criar itens contemporâneos com DNA de obra de arte, que lhe rendeu, há dois anos, o mais prestigiado prêmio francês nas áreas de moda e design, o ANDAM (Association Nationale pour le Développement des Arts de la Mode). E é membro do CFDA, Council of Fashion Designers of America, o respeitado conselho dos estilistas americanos.

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“Evoluí inspirada pelos vencedores e agora faço parte deles, é um sonho tornado realidade”, analisa, acrescentando que, além da honra, é recompensador saber que está levando sua marca na direção e no ritmo orgânico planejados. Também contribuiu para esse reconhecimento o seu empenho em utilizar apenas materiais sustentáveis, que Ana credita ao fato de ser brasileira. “E tenho orgulho de fazer parte da Fairtrade Alliance for Responsible Mining (ARM), a quem relatamos nossas compras e discutimos a ética nas práticas ambientais”, conta Ana, que anda focada na exposição que será aberta em 30 de junho, no Musée des Art Decoratifs, em Paris.

Esse reconhecimento aparece, também, no posicionamento de mercado – ela é a terceira joalheira mais vendida no Le Bon Marché, em Paris – e nas celebridades que viraram suas clientes. No ano passado, Lady Gaga foi ao Festival de Cinema de Toronto divulgar “Nasce uma Estrela” usando brincos de Ana para arrematar o vestido Iris van Herpen. Rihanna, Lupita Nyong’o, Jennifer Lawrence, Charlize Theron, Alicia Vikander, Nicole Kidman e Karlie Kloss são algumas das estrelas que já se renderam às suas joias de essência feminina e linhas absolutamente modernas.

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Não à toa, a francesa Louise Bourgeois, famosa autora de esculturas como a Maman, exposta por anos no MAM-SP, é referência constante no universo criativo da joalheira. “É, com certeza, uma musa para mim e uma eterna inspiração como artista e como mulher. Seu trabalho me inspira a olhar para as formas em relação ao espaço e movimento.”

É seguindo essa mesma coerência de pensamento que ela tem convidado mulheres reais e fortes para suas campanhas. Johanna Stein tem sido a modelo das novas peças de fine jewelry e Missy Rayder, o rosto da haute joaillerie. “Procuro mulheres que tenham uma singularidade. O tópico comum é que elas sejam artistas, inteligentes, fortes, gentis, naturais, inspiradoras, e eu tenho uma conexão genuína com quase todas”, conta ela, que estudou no Gemological Institute of America e Parsons, em Nova York.

Aliás, Ana considera a cidade especial. “Amo o Central Park e o MET, mas meu lugar favorito é minha casa, no Upper East Side. É onde relaxo e respiro depois de um longo dia de trabalho.”

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