Foto: Divulgação

Como em muitas histórias bem-sucedidas entre designers, Giulia Tavani começou criando joias para si mesma e para amigos próximos. Até que o passatempo dessa romana de 29 anos virou coisa séria. Suas criações inspiradas em tribos indígenas, eras longínquas e deuses misteriosos, como ela gosta de definir, agradaram em cheio um público ávido por originalidade e audácia e, sobretudo, por peças únicas artesanais.

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“Crio usando primeiro meu corpo. Estudo minhas mãos minuciosamente e sempre tenho em mente o corpo da mulher, a coisa que mais admiro no mundo”, conta à Bazaar. Essa paixão por outras eras e pelo fatto a mano levou Giulia a criar a marca Angostura, há quatro anos. Suas joias são como talismãs e amuletos, inspirados nos sonhos de um passado não identificado. “Esse tipo de peça realmente escolhe seu dono. E mesmo que ela não seja esteticamente ideal, toda falha agrega valor à joia”, analisa.

Um dos pontos altos da marca, o dedal estilizado, ou o anel de dedo, tem seu segredo de fabricação personalizada guardado a sete chaves. “Trabalhei duro para chegar ao resultado, mas, depois de muitos erros, consegui o que queria”, diz a designer. Mas ela entrega que o processo é extremamente simples. “Faço uma ‘manicure’ no dedo de cera antes de fazer a fusão entre a prata e o bronze”, revela.

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Giulia é antenada e sempre busca colaborações smart com outros criadores. Em breve, sai do forno o resultado da parceria com a stylist milanesa Ilaria Norsa (que, por acaso, também é sua business partner). Juntas, elas desenvolveram uma coleção sexy de cintos com pegada tribal punk inspirada nos anos 1980. “Criamos oito peças couture superfuncionais e estilizadas, totalmente feitas à mão com couro da melhor qualidade e finalizados com fivelas, tachas e correntes”, adianta Giulia, que vende suas criações em lugares como a Selfridges, em Londres, e em seu site.

A linha está prevista para ser lançada em Milão, Paris, Ibiza e Roma nos próximos meses. No ano passado, suas joias foram parar na semana de moda masculina de Paris verão 2020. Mais especificamente na passarela da Palomo Spain. Braceletes irregulares, com relógios acoplados e joias de dedo, testa, nariz e boca, além de máscaras, arremataram os looks sem gênero da label queridinha da cena de moda espanhola.

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“Comecei seguindo o Alejandro (Gómez Palomo, diretor criativo da marca) nas redes sociais. Um belo dia, mandei uma mensagem dizendo que o admirava e ele me respondeu. Amo profundamente seu trabalho e considero sua luta contra o racismo e pela aceitação dos gêneros ultraimportante”, diz, acrescentando: “Por isso, essa parceria foi meu melhor momento de 2019”.

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A relação entre a estética das peças e o nome da marca dessa romana não é mera coincidência. A Angostura, bebida amarga feita a partir de cravo, raiz de genciana, cardamomo, extrato de laranja, cinchona e álcool, hoje muito usada em coquetéis, já foi, no passado, remédio entre marinheiros que faziam longas viagens.

A estranheza causada pelo sabor, de certa maneira, parece dar o tom às suas criações preciosas, feitas em prata e bronze, além de pedras, como diamantes, rubis, esmeraldas, safiras, turmalinas, citrinos e peridotos, e ainda pérolas. Ingredientes que, pelas mãos de Giulia, se transformam em preciosos amuletos.