Goldie usa vestido de malha Moschino Couture, óculos de sol Markus Lupfer x Linda Farrow, meias Falke e botas Giuseppe Zanotti. Foto: Terry Richardson
Goldie usa vestido de malha Moschino Couture, óculos de sol Markus Lupfer x Linda Farrow, meias Falke e botas Giuseppe Zanotti. Foto: Terry Richardson

Por Marshall Heyman

Enquanto algumas mulheres estavam ocupadas queimando sutiãs no fim dos anos 1960, Goldie Hawn colocava um biquíni e pintava o corpo para viver uma gostosona avoada com risada estridente no programa humorístico “Laugh-In“. Entretanto, no processo de encantar a América e catapultar-se ao status de it-girl, Hawn, então com 22 anos, também conseguiu a desaprovação de algumas feministas. “A editora de uma revista feminina veio me perguntar: ‘Você não se sente mal de interpretar a loira burra?’”, lembra a estrela, até hoje surpreendida com a questão. “Eu disse: ‘eu não entendo essa pergunta, porque sou uma mulher independente. Liberdade vem de dentro.’”

Fica claro que o compromisso de Hawn em ser dona de si mesma – fazer o que quer, quando quer e sem a necessidade de aprovação dos outros – tem dado muito certo. Depois de “Laugh-in”, houve uma longa lista de filmes e programas de TV, incluindo Flor de Cacto, de 1969, filme pelo qual ganhou tanto o Oscar como o Globo de Ouro de melhor atriz coadjuvante; e um especial de TV com Liza Minelli, de 1980 (procure no YouTube, você não vai se arrepender). E quando Hawn, hoje com 71 anos, percebeu que “as mulheres tinham prazo de validade” em Hollywood, passou a produzir seus próprios filmes centrados em personagens femininas (lembre-se de A Recruta Benjamin e Protocolo), que, por consequência, desembocaram em papéis como “A Morte lhe Cai Bem“, de 1992, com Meryl Streep, e “O Clube das Desquitadas“, de 1996, com Diane Keaton e Bette Midler.

Ela veste camisa Calvin Klein Jeans, regata Chico’s, brincos Cartier, colar Marco Bicego e pulseira Monica Rich Kosann. Foto: Terry Richardson
Ela veste camisa Calvin Klein Jeans, regata Chico’s, brincos Cartier, colar Marco Bicego e pulseira Monica Rich Kosann. Foto: Terry Richardson

“Apesar de sermos todas estrelas, [Hollywood] estava nervosa com este filme,” Hawn conta sobre” O Clube das Desquitadas”, um blockbuster que rendeu mais de US$ 180 milhões pelo mundo. “Nós todas tivemos de reduzir nossos cachês e custos, porque os estúdios não estavam otimistas e não confiavam que um filme estrelado por mulheres, de fato, fosse dar certo.”
A discriminação pela idade no show business é outra batalha que Hawn acredita que as mulheres nunca vão abandonar. “Você acha que vai lutar contra o sistema? Acha que vai provar para Hollywood que quando chegar aos 45 você ainda é sexy? Não. Há uma realidade inevitável. Isso me deixa com raiva? Não, não sou uma pessoa raivosa. Não sou militante. Raiva não leva você a lugar nenhum. Não é produtiva.”

E estes 15 anos, desde que Hawn apareceu nas telas pela última vez, têm sido muito produtivos. Ela lançou a Hawn Foundation, que ajuda crianças de todo o mundo a lidar com a ansiedade e o estresse. (“É um mundo diferente. Não há gente vindo até você e se oferecendo para tirar pelinhos do seu blazer”, brinca ela). Ela ajuda a criar mais crianças do que o público provavelmente tem ideia (“Adotei um monte de crianças pelo mundo, não falo muito sobre isso”); ela se mudou de Los Angeles para Vancouver, no Canadá, para que seu filho Wyatt, que ela teve com o companheiro de longa data Kurt Russell, pudesse jogar hóquei. (“Eu queria que ele vivesse seu sonho e queria estar lá como mãe”). E também tentou colocar em ação projetos com seus filhos mais velhos, a atriz Kate Hudson e o ator Oliver Hudson, de quem ela é próxima. (“Ultimamente eu sou a mãe. Quero ver cada um dos meus filhos terem sucesso sem me colocar no meio disso”).

Ela veste camisa Calvin Klein Jeans, regata Chico’s, brincos Cartier, colar Marco Bicego e pulseira Monica Rich Kosann. Foto: Terry Richardson
Ela veste camisa Calvin Klein Jeans, regata Chico’s, brincos Cartier, colar Marco Bicego e pulseira Monica Rich Kosann. Foto: Terry Richardson

Então, um dia, Amy Schumer entrou em sua vida. A jovem atriz, que cresceu assistindo fitas de vídeo de “Laugh-In” e “Um Salto para a Felicidade” com seus pais, procurou Hawn: “Eu a cerquei em um voo. Esperei até o avião pousar, então me aproximei e disse que estava fazendo um filme e queria que ela interpretasse minha mãe”, conta a comediante. “Amy riu e disse: ‘Eu sei que você não sabe quem eu sou’, lembra Hawn. “E eu não sabia mesmo. Mas eu poderia ter mordido suas bochechas, ela é tão fofa.” Embora nenhum projeto tenha saído daquele dia, quando elas se encontraram meses depois em um evento em Londres, Hawn concordou em ler o roteiro de “Snatched“, a nova comédia de ação dirigida por Jonathan Levine, sobre uma viagem de mãe e filha que dá errado. “Eu quis fazer este filme tanto por Amy quanto por mim, porque este é o modo como ela enxerga a própria mãe”, conta Hawn.

Além disso, ela estava pronta para voltar às câmeras. “Dar um tempo em qualquer coisa que fazemos, às vezes, é bom”, diz. “E eu esqueci o quanto é divertido, esqueci os prós. Três meses no melhor dos hotéis, olhando para o mar. Quando tive de arrumar as malas e partir, derramei uma lágrima. Nós nos abraçamos na última cena e choramos. Saí pensando: ‘É, poderia fazer de novo’.” E o que está faltando na sua lista? Talvez uma série de TV ou um monólogo na Broadway. “Há tantas coisas para contar sobre o que vivi”, diz Hawn. De qualquer forma, será nos termos dela. “Eu nunca peguei a estrada mais óbvia, o que quer que isso seja. Se é que isso existe.”

FOTO: TERRY RICHARDSON
EDIÇÃO DE MODA: JOHANNA HILLMAN
CABELO: HARRY JOSH PARA HARRY JOSH PRO TOOLS
MAQUIAGEM: JOEY MAALOUF PARA ISH.CO