Da esquerda para a direita: Céline, Salvatore Ferragamo e Gucci - Foto: reprodução/Harper's Bazaar
Da esquerda para a direita: Céline, Salvatore Ferragamo e Gucci – Foto: reprodução/Harper’s Bazaar

Por Luigi Torre

Os sinais já vinham de outras temporadas, mas, chegado o verão 2015 internacional e nosso inverno 2015, o orientalismo cravou seu lugar como a grande tendência da estação. Traços, cortes e elementos das culturas orientais são artifícios indispensáveis no guarda-roupa atual.

Estamos falando de calças amplas, que garantem conforto e elegância, de amarrações tipo obi, que arrematam o look de trabalho e o vestido de festa também, de mangas arredondadas nas jaquetas da vez, de camisas e vestidos-túnica e, principalmente, de quimonos – peça-chave já apresentada por esta Bazaar.

Foram eles, os quimonos, as estrelas dos desfiles de Vitorino Campos e Têca na última edição do SPFW. Lisos, estampados ou com os ricos jacquards, que se destacaram neste inverno, aparecem superleves ou pouco estruturados. São eles também que emprestam suas formas simples às jaquetas da estilista carioca Andrea Marques, outra que olhou para estampas típicas do oriente como forma de inspiração.

Da esquerda para a direita: Hermès, Lolitta e Marni - Foto: reprodução/Harper's Bazaar
Da esquerda para a direita: Hermès, Lolitta e Marni – Foto: reprodução/Harper’s Bazaar

Quer mais? Motivos japoneses colorem o verão da Gucci, coleção que leva um pouco da simplicidade das vestes orientais para a passarelas. Mas coube à Marni, em Milão, uma das melhores e mais emocionantes interpretações da estética vinda do outro lado do mundo – uma visão poética de construção e desconstrução, tema recorrente entre os estilistas japoneses que revolucionaram a moda no fim do século 20.

Aliás, com os anos 1970 como a principal influência do momento, seria impossível não abordar o visual do oriente. Foi nessa década, por exemplo, que Kenzo Takada apresentou sua primeira coleção em Paris e abriu as portas de sua Jungle Jap, na Galerie Vivienne. Foi também quando Kansai Yamamoto começou sua revolução fashion – e parceria com David Bowie. Promovendo verdadeiro clash cultural entre oriente e ocidente, ambos propunham mistura de tecidos totalmente inusitada e, mais ainda, introduziam novas formas, eliminando pences e abusando de linhas retas e desenhos quadrados, quase sempre derivados de diferentes tipos de quimonos.

Sportmax - Foto: reprodução/Harper's Bazaar
Sportmax – Foto: reprodução/Harper’s Bazaar

Agora, porém, o oriente chega menos colorido e mais zen. E menos literal também. Aparece híbrido com a alfaiataria ocidental, numa evolução da discrição chique que vinha dando o tom nas coleções de Céline, Hermès e The Row.

Não por acaso, marcas que também voltaram seus radares para as formas simples e puras de trajes chineses, indianos e japoneses. São desenhos amplos e confortáveis, complemento perfeito para os acessórios marcantes desta temporada. Pense nas flatforms com solado de madeira ou borracha, em pulseiras rústico-naturais ou até mesmo nos acessórios com pegada industrial. Afinal, um pouco de contraste não faz mal a ninguém.