Foto: Divulgação
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por Luigi Torre

Que o street style está em alta, leitores assíduos de Bazaar já sabem. A novidade é que a tendência mais influente na moda – e que te possibilita ser quem você bem quiser – ganha versão tropicalizada, com a chegada em lojas das coleções nacionais de verão 2017. Estamos falando do mood escapista e 100% solar que saturou as cores e estampas de alguns desfiles das semanas de moda made in Brazil, sempre aliado a uma bem-vinda atitude das ruas. Paisagens de praias paradisíacas e motivos florais, de palmeiras e de folhagens, onipresentes nas propostas das marcas brasileiras, chegam então imersas em referências do mundo do skate, surfe e da cultura clubber do fim dos anos 1990 e começo dos 2000.

“É sobre trazer aquela sensação de férias de verão, de conforto, diversão e bem-estar para o dia a dia”, explicou Ana Claudia Dias, diretora de criação da A.Brand, momentos antes de a marca estrear nas passarelas do SPFW, com coleção de intensos motivos praianos, hibiscos e coqueiros supercoloridos, inspirados em clichês havaianos. Mas, além das maxiestampas, o que chama mesmo a atenção são as releituras de formas amplas e oversized, que vem fazendo muita gente comprar roupas um ou dois números maiores e preferir o caimento “errado”, no lugar do fit perfeito. Aqui, essas ideias aparecem trabalhadas em vestidos de corte geométrico e afastados do corpo (sobre tops ou peças de beachwear), em camisas folgadas, com mangas a perder de vista, e pantalonas fluidas e desestruturadas. Não custa lembrar: temperaturas altas exigem roupas levíssimas.

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Carregar as férias no corpo – e todo dia – também é uma das propostas do verão 2017 da Ellus. Como explicou o estilista Rodolpho Souza, durante o preview da coleção, o conceito nasceu de uma ideia dessa mulher rocker e irreverente da marca, em viagem ao Havaí, assimilando, aos poucos, elementos da cultura e paisagem locais. Vem daí uma das ideias mais interessantes desse tropicalismo urbano: a combinação do uniforme street, tão em alta, com seus jeans de aparência vintage, jaqueta de couro ou bomber, acessórios esportivos e militares, com peças leves, de preferência, com estampas
florais e em proporções amplificadas.

Como a gente não cansa de falar, faz parte do papel da moda refletir os humores e as vontades de uma sociedade em determinada época. A nossa, no caso, não é das mais agradáveis. Basta abrir os jornais para entender do que estamos falando – escalada da violência mundo afora, surtos xenofóbicos e conservadores aqui e acolá e uma das piores crises econômicas e políticas da breve história democrática do nosso País. Contudo, a resposta da passarela não foi em nada sombria. Pelo contrário, foi bastante otimista. Sempre que a realidade amargura, a moda sonha – uma forma diferente de escapismo. Ou, em outras palavras, não deixa a peteca cair, como explica Patricia Bonaldi sobre o verão de sua PatBo: “Está tudo tão difícil, que senti a necessidade de um pouco de otimismo”.

Para a estilista mineira, otimismo se traduz numa ampla profusão de detalhes, patches e cores, tanto sobre tecidos nobres (sedas, tafetás, rendas e jacquards) quanto outros mais usuais (malhas, algodão e o próprio jeans), tudo superdecorado e, como é comum no trabalho de Patricia, com intenso e precioso trabalho manual. Uma das melhores peças da coleção, por exemplo, a jaqueta de baseball acetinada levou 30 dias para ter seus bordados tropicais e brasileiríssimos finalizados. Prova de que, apesar da urgência street, o acabamento ainda é deluxe.