Alex Scally e Victoria Legrand da banda Beach House - Foto: divulgação
Alex Scally e Victoria Legrand da banda Beach House – Foto: divulgação

Por Luisa Graça

Conhecida pela música que produzem, mas também pelas belas imagens que acompanham o som, a banda Beach House é a explicação do que se pode chamar de sonoridade cinemática – um dream pop sofisticado com traços sombrios. “Acho que as pessoas falam muito que nossa música tem um algo de sonho e de visual porque é imaginativa”, defende Victoria Legrand, vocalista do grupo que se apresenta pela primeira vez no Brasil, no Cine Joia, em São Paulo.

Ela, 32, e Alex Scally, 31, tem quatro álbuns lançados, sendo o elogiadíssimo Bloom, de 2012, o mais recente. Ainda sem planos para um próximo álbum, a dupla de Baltimore voltou aos holofotes fashionistas pela trilha composta para o novo curta da Rodarte. De olho neles, a Bazaar bateu um papo com Victoria sobre a intensidade de fazer música e as expectativas para os shows por aqui. E o melhor? descobrimos que ela é uma fashion nerd!

Harper’s Bazaar: Como surgiu essa ideia de colaborar com as meninas da Rodarte, produtoras do This Must Be The Only Fantasy?
Victoria Legrand: Conheço as irmãs Mulleavy há um tempo, elas são pessoas muito queridas. Admiramos o trabalho delas e acho que elas admiram nosso trabalho também. Foi algo que aconteceu meio que naturalmente. Elas pediram que a gente fizesse a trilha do curta e nós topamos, claro.

B: E o que vocês acharam da experiência de compor para um filme?
V: É algo que sempre quisemos fazer, foi um ótimo exercício. Alex e eu somos muito visuais, algo assim fazia sentido pra gente. A música inspira imagem e imagem inspira música, então é bem libertador fazer um trabalho que pode ser mais experimental, mais solto. Com o filme da Rodarte, tentamos criar uma fluidez imagética através das músicas, como forma de ajudar no desenvolvimento e conexão entre cenas.

B: Todos gostam de apontar que a música de vocês é bem visual e instintiva. Vocês buscam seguir por esse caminho ou simplesmente acontece?
V: Acho que a música é visual como um todo. Acho que é por isso que as pessoas precisam de música. Ela nos leva a pensar, a sentir, a ver cores. Fazer música é algo intenso. Tem muitas fases: espontaneidade, força, controle, razão, visões. É um pouco de tudo, há a consciência e o instinto. Mas eu sinto uma necessidade de construir algo, seja algo forte ou pequeno. E esta é minha resposta pretensiosa [risos].

B: O que a música faz por você enquanto alguém que a tem como forma de expressão?
V: Eu já quis ser atriz, há muitos anos atrás, mas era algo que não era tão liberador pra mim. Eu não queria seguir regras de outra pessoa, queria ter controle do meu texto. E na música, você cria tudo, a atmosfera, as cores. É uma forma de arte que me dá poder como mulher, sabe? Você cria um universo que está em constante mudança. E a música muda conforme a gente vai mudando com a idade. É uma reflexão bem peculiar da nossa vida. Mas acho que um pintor ou um estilista diriam a mesma coisa. As coisas que eles criam evoluem com o mundo em que eles vivem. Elas refletem o que acontece na vida de quem cria e na vida de quem está vendo ou ouvindo o que se criou. Acho que, na verdade, todos os artistas carregam uma sensação de que nada está realmente concluído. A expressão é contínua.

B: Você vê moda como uma expressão artística?
V: Acho que definitivamente existe um conflito entre a importância de ser comercial e a importância de ser artística e verdadeira. Mas acho que primordialmente a moda deve ser divertida. Para mim, roupas podem ser tão inspiradoras quanto uma pintura, porque me fazem sentir algo. Uma roupa pode me fazer escapar de algo ou confrontar algo, pode revelar algo meu, fazer com que eu me sinta mais viva, enfim… A moda nos dá fantasia, algo que todos nós precisamos.

B: Não sabíamos que você gostava tanto de moda. Quais designers mais te impressionam?
V: Pois é, eu sou meio que uma fashion nerd [risos]! Ler sobre moda é um hobby que tenho, leio muito quando viajo. Acho que há muitas mentes brilhantes no meio. A Rei Kawakubo, da Comme des Garçons, tem uma habilidade incrível de criar peças muito divertidas e confrontantes. Prada é fascinante. Também adoro Dries van Noten e as jaquetas estruturadas da Céline. Gosto de silhuetas esquisitas.

B: Como esse seu gosto por roupas se traduz no palco? O que você gosta de vestir?
V: Gosto de manter as coisas bem estruturais, bem simples. Gosto de me sentir forte, então, levo um pouco de androginia para o palco. Mas só um pouco, porque ainda assim gosto de me sentir eu mesma. É preciso refletir atitude, mas gosto de encontrar isso de maneira sutil. No dia-a-dia eu me visto de maneira bem feminina, mas nos shows deixo a feminilidade a cargo do cabelo, do rosto, das mãos. Não gosto de usar algo que possa distrair a atenção da música, isso não me deixa confortável. E você precisa estar confortável… mas não de moletom. Não consigo usar moletom em público [risos].

B: E os planos para os shows no Brasil?
V: Estamos bastante animados, mas não tenho expectativas. O melhor jeito de viajar é não ter expectativas. Assim, tudo o que acontece é daí para melhor. Acho que em todo lugar é possível encontrar coisas que inspiram. Cores, texturas, lugares. Nunca estivemos no Brasil antes, estou muito curiosa pra conhecer a cultura, a comida, as pessoas. Sou uma entusiasta!

Popload Gig Beach House @ Cine Joia
Praça Carlos Gomes, 82,  Liberdade, São Paulo – SP
Quarta-feira, 28 de agosto às 23h30
Valores: R$ 180,00 (inteira) / R$ 90,00 (meia-entrada)
www.cinejoia.tv