Desfile Reinaldo Lourenço/Foto: Reprodução

Por Sylvain Justum

A exemplo da Triton, Reinaldo Lourenço busca inspiração na catedral de Notre Dame, em Paris – ela completa 850 anos em 2013 -, para construir seu inverno. Ao contrário da colega, que explodiu em cores e prints maximalistas, a pegada aqui é soturna, gótica e monástica.

Apostando na silhueta longilínea que domina a estação, Reinaldo foca na saia-lápis como pièce de résistance, estruturando ombros e explorando a alfaiataria dos anos 80.

Se bem que o resultado é puro 40´s, sobretudo na parte total black do desfile, poderosa na sequência de Little Black Dresses pas comme les autres. Vestidos rígidos em crepe, veludo e couro envernizado, emoldurados por peles nos pescoço ou nos capuzes.

Os hoodies remetem às vestes religiosas, mas ganham conotação street quando acoplados aos vestidos cujas estampas remetem discretamente aos vitrais da Vieille Dame (Velha Senhora. É assim que os parisienses chamam, carinhosamente, sua mais bela catedral).

Nesta parte do desfile, entra a fluidez nas formas (embate da temporada, já escolheu seu lado?), com delicados vestidos em georgette de seda, com plissados localizados e transparências profanas. Para suavizar a pompa católica, botas de plataforma, outro hit resgatado das ruas e que anda pipocando pelas passarelas. No bloco final – talvez um tantinho longo -, preciosas saias e mantôs com referência aos trajes papais, em luxuoso veludo arrematado por detalhes em cristal. Belíssimo.

MELHOR LOOK: O vestido fechado e de mangas longas, com detalhe em couro envernizado e efeito corselet na cintura, desfilado por Alicia
Kuczman. Austeridade e poder.

TRILHA: Perfeito clima medieval sombrio, intercalando rezas e toque de sinos. Obra de Max Blum

MIMO: As bolsinhas redondas de metal, com ares de defumadores, desenhadas pela “mulher rica” Brunette Fraccaroli

 

Foto da Home: Paulo Reis