Foto: Pascal Mory; Conceito: Yolanga Kiluanji; Direção: Badara Ndiaye; Edição de Fotos: Eddy Anael

Diana Vreeland adorava dizer que é preciso ter estilo. “Isso ajuda você a descer as escadas e a acordar de manhã. É um modo de vida. Sem ele, você não é ninguém. Não estou falando de ter muitas roupas”, sentenciava a icônica editora da Harper’s Bazaar. Foi a frase que me veio à cabeça quando fui apresentada ao universo do diretor criativo Badara Ndiaye.

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Há algo mais em como ele dialoga com o mundo e, definitivamente, como se veste. Com ele, não existe tédio na alfaiataria, seu estilo preferido. Cores, estampas, texturas e por vezes algum acessório inusitado garantem boas doses de personalidade a seus ternos. Seu estilo, definitivamente, garantiu acesso à moda para o ex-jogador de basquete.

Foto: Pascal Mory; Conceito: Yolanga Kiluanji; Direção: Badara Ndiaye; Edição de Fotos: Eddy Anael

Atualmente morando em Paris, comenta que suas referências vêm da família. “Meus pais foram uma grande influência. Gostava de vê-los se vestir, mesmo que eu não soubesse o que era moda”, afirma. Ele se recorda que o pai, cirurgião e ator, sempre gostou de se vestir de maneira diferente. “Lembro-me de usar suas roupas e sapatos em festas na adolescência, já que era alto o suficiente. Na verdade, ele me encorajava. Às vezes, até me ajudava a dar uma olhada em seu armário. São memórias muito boas”, conta.

Foi esse senso estético que o levou à Parsons School of Design, em Nova York e em Paris. No projeto Tukki (deslocamento e movimentos migratórios em Wolof, a língua mais falada no Senegal), iniciado antes da pandemia, ele trabalhou ideias de diversidade, inclusão, percepções e memórias.

Foto: Pascal Mory; Conceito: Yolanga Kiluanji; Direção: Badara Ndiaye; Edição de Fotos: Eddy Anael

“Devido ao coronavírus tivemos de continuar o programa online, mas, felizmente, a parte mais importante aconteceu ainda presencial. O trabalho dos alunos foi apresentado no final do semestre via Zoom, mas a escola está tentando transformar em exposição em Paris. Foi uma experiência que nunca trocaria por nada”, explica. Ele também está no programa da masterclass Inside the Business of Fashion and Luxury.

Trajetória

Foto: Pascal Mory; Conceito: Yolanga Kiluanji; Direção: Badara Ndiaye; Edição de Fotos: Eddy Anael

Nascido no Senegal, Badara conta que se aposentou ainda jovem das quadras norte-americanas por causa de uma cirurgia no joelho, o que abriu espaço na agenda para se formar em Sociologia, Antropologia e Psicologia. Trabalhou em marcas como Adidas e a varejista britânica AllSaints. “Isso me permitiu conhecer muitas pessoas de todas as esferas”, diz.

Foi quando, em 2012, recebeu convite para trabalhar como editor na plataforma digital Fashion to Max. Na sequência, vieram convites para colaborar com o New York Style Guide e revistas de moda. “Na minha primeira cobertura de uma semana de moda fui muito fotografado e não conseguia entender o porquê”, recorda. Um palpite, diz, era sua altura (ele tem 2,11 m). “Um colega me disse que era por causa do meu estilo, mas isso não fazia sentido para mim.” A ficha caiu quando viu suas fotos em algumas das principais publicações de moda mundo afora. Até o sisudo The Wall Street Journal prestou atenção na sua maneira criativa de se vestir.

Foto: Pascal Mory; Conceito: Yolanga Kiluanji; Direção: Badara Ndiaye; Edição de Fotos: Eddy Anael

Do senso estético afiado para misturar peças ele migrou para a interferência artística em itens do seu próprio closet. Em 2016, depois de assistir a um documentário sobre o estilista Thom Browne, veio a ideia de pintar roupas e sapatos que não usava mais. “Comprei um monte de tinta acrílica e comecei algo que me levaria a um lugar que eu nunca imaginei”, analisa.

Para ele, não existe limite para a ousadia. “As pessoas esquecem que o ato de se vestir é autoexpressão. Portanto, não deve haver limite. Agora, se você for ousado, certifique-se de usar suas roupas para que as roupas não usem você”, avisa, bem-humorado.

Foto: Pascal Mory; Conceito: Yolanga Kiluanji; Direção: Badara Ndiaye; Edição de Fotos: Eddy Anael

A customização, diz, virou uma maneira particular de contribuir com a sustentabilidade e acabou ganhando exposição no ano seguinte na Art Basel, em Miami. “Foi o momento em que percebi: ‘Eu posso fazer isso!’ Nunca mais olhei para trás e, desde então, venho adicionando novas habilidades à minha vida.”

Atualmente, trabalha no marketing da plataforma Bellagraph Nova Group e é diretor, roteirista e ator de seus próprios filmes. Durante a quarentena, fez vários com pegada glam divertida. “Senti que as pessoas precisavam de algo mais significativo. Vi uma chance de conhecerem outro lado de mim… Gostei de fazer esses vídeos, descobri outra persona dentro de mim.”

Foto: Pascal Mory; Conceito: Yolanga Kiluanji; Direção: Badara Ndiaye; Edição de Fotos: Eddy Anael

O projeto mais recente, o documentário “8:46 Seconds to Breath”, aborda o assassinato de George Floyd e está em fase de finalização. “É uma mistura de imagens inertes e em movimento para denunciar a brutalidade policial”, explica Badara, que contou com o trabalho do fotógrafo e cineasta franco-vietnamita Sébastien Ngoc. “Nossa colaboração é um ato civil e justo de contribuição para uma mobilização global sem precedentes: A vida negra importa!”