Balenciaga verão 2016 - Foto: Getty Images
Balenciaga verão 2016 – Foto: Getty Images

Por Luigi Torre

Para sua despedida da direção criativa da Balenciaga, Alexander Wang escolheu o branco como o tom dominante de seu verão 2016. A cor, símbolo de paz, purificação e recomeços não podia ser mais representativa – do que a marca passou e passará, e também das próprias mudanças na carreira do estilista, que agora, mais maduro em todos os sentidos, se foca no crescimento de sua etiqueta homônima. 100% monocromática, a coleção trabalha então sobre texturas, transparências e sobreposições, tudo carregado das referências 90’s tão em alta no momento e também tão emblemáticas do estilo de Wang. São calças de cetim com modelagem quadrada, vestidos-camisola, underwear à mostra, laços, rendas e babados. Uma aparente paz e purificação, que esconde nos detalhes e nos acessórios um pouco de ousadia: vide as fendas e recortes que revelam a pele, os acessórios pesados em dourado e até minibolsas como porta-cigarros.

Sob a direção de Wang, a Balenciaga adentrou um mundo mais comercialmente viável. Menos influente do que na época de Ghesquière, mas mais lucrativa e alinhada às principais vontades do momento. Reflexos dos tempos em que moda é mais business do que livre criação e do poder de decisão do consumidor. Por esse ângulo, esse adeus do estilista californiano à maison francesa, pode ser visto como uma síntese de tudo isso. Recuperação de elementos (e coleções) passadas, requentados com pitadas de atitude cool e doses daquilo que é desejo de consumo desde já.