Barbara Müller lança coleção inspirada em felinos

Designer radicada em Belém tem antenas conectadas à Amazônia

by Silvana Holzmeister
Braceletes esculpidos à mão em freijó, prata e citrino (R$ 2.100) e de madeira rádica, prata e citrino (R$ 2.640) - Foto: Divulgação

Braceletes esculpidos à mão em freijó, prata e citrino (R$ 2.100) e de madeira rádica, prata e citrino (R$ 2.640) – Foto: Divulgação

Barbara Müller ainda estava dando os primeiros passos na joalheria, há cinco anos, quando começou a criar uma série de braceletes em madeira e prata inspirados em felinos. Na época, conta, sentiu que não havia potencial para um lançamento e resolveu arquivar as peças. Há poucos meses, deparou com os quadros do amigo e artista Luan Rodrigues com a mesma temática. A conexão fez ela retomar o antigo trabalho, que agora dá força à coleção “Iaguara”, palavra que, em tupi, significa onça, fera e selvagem, e cujo arquétipo remete a intuição e coragem. “São animais que carregam uma visão mística e um entendimento de completude entre o mundo espiritual e físico”, ressalta a joalheira.

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Natural de Roraima e desde a infância morando em Belém, Barbara avista de sua janela, diariamente, o Rio Guamá, a Ilha das Onças e a, ao fundo, a grandeza da Floresta Amazônica. Diante do alarmante quadro recente de queimadas, conta que se sente angustiada ao imaginar que essa imensidão verde pode deixar de existir.

Por isso, a inspiração nos felinos traça, ainda, uma conexão com o bioma do passado, quando havia um grande número de onças. “Hoje, são raras”, acrescenta. Essa proximidade com a força da natureza também é um dos pilares do trabalho da designer, que, em pouco tempo de mercado, já recebeu menção honrosa no prêmio Artistar Jewels de 2014, em Milão, com o bracelete “Saturn’s”, em prata, madeira e pirita, e o maxicolar “Pulmões do Mundo”, em prata e folha de samambaia seca. Outro maxicolar, “Vitta Oppressa (vida oprimida)”, feito com fibra de buriti, semente de paxiubão, tela de arame e folha de samambaia seca, está no acervo permanente do Museo di Casalmaggiore, em Roma.

“Minhas peças mais queridas e preciosas foram feitas com ‘matéria-prima de pouco valor’, quase proibidas de serem consideradas joias. Tento constantemente desconstruir esses véus e aguçar o olhar para belezas menos óbvias”, diz ela, que também já atuou como consultora utilizando o design como ferramenta criativa, ecológica e de fonte de renda alternativa em comunidades ribeirinhas, quilombolas e indígenas.

Colar de madeira rádica, com detalhe de onça em prata esmaltada, ouro e bornita (R$ 2.990) - Foto: Divulgação

Colar de madeira rádica, com detalhe de onça em prata esmaltada, ouro e bornita (R$ 2.990) – Foto: Divulgação

No novo trabalho, a designer trabalha, principalmente, com imbuia, cedro e feijó – ela está em busca de certificação para as madeiras de reaproveitamento que utiliza – conectadas a búzios, prata, ouro e pedras, como rubi, esmeralda, diamante, água-marinha, ametista, citrino, ágata e bornita, em 44 joias.

“Os braceletes com temática de felinos são, para mim, peças místicas, mutantes, e os meus preferidos da coleção. E nenhum é igual a outro, com formatos, tipos de madeira e composição de metal e gemas diferentes”, diz ela, acrescentando que cada peça passou pela mão de, no mínimo, três pessoas: escultor, gemólogo e ourives.

Adepta da joalheria à moda antiga, com menos máquinas e mais artesãos envolvidos no processo, a designer conta que suas joias guardam um quê de irregularidade. “Somos imperfeitos, a matéria-prima natural é imperfeita e é justamente na imperfeição que mora a beleza e a autenticidade do que não pode ser reproduzido”, explica. Essa compreensão permeia, além dos braceletes, anéis, uma clutch, todos esculpidos à mão, e uma série de joias em prata esmaltada. Boa parte da coleção está em sintonia com as obras de Luan Rodrigues. E toda ela em harmonia com a natureza.

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