Foto: Agência Fotosite
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Por Victoria Ranieri e Eduardo Rolo

Não tem jeito: o assunto quente do momento atual da moda é o modelo de negócio see now, buy now, que garante que os consumidores tenham acesso às peças desfiladas minutos após o fim da apresentação. Essa ação se iniciou com a Moschino, que ao fim de seus desfiles disponibilizava em seu site e em algumas lojas peças selecionadas da apresentação, mas foi a Burberry que concretizou, de fato, a mudança. A grife anunciou recentemente que a partir da coleção de verão 2017, que será desfilada em setembro, a marca exibirá a linha feminina e masculina em um evento semestral e todos os produtos estarão disponíveis para compra assim que as luzes da passarela se apagarem.

Em terras brasileiras, a tendência chegou com a reestruturação do SPFW, que perde a classificação por temporadas e deixa as marcas livres para decidir que modelo será aplicado ao seu negócio. Levando em consideração as dificuldades da indústria, Bazaar perguntou aos estilistas que participam do evento o que eles pensam sobre essa nova forma de trabalhar.

Pontos positivos

Lolita Hannud, diretora criativa da marca Lolitta, enxerga a mudança com bons olhos: “Eu vejo um lado positivo, pois as pessoas vêem as roupas na passarela e têm aquele impulso – o desejo do momento. Para as marcas é difícil você resgatar isso depois de um tempo”. Porém, afirma que nessa coleção de verão, ainda não conseguiu implementar o formato. Para Paula Hermanny, estilista da da marca de beachwear Vix, a disponibilidade da roupa vida real é necessária. Foi inclusive por isso que só nessa temporada a veterana da moda praia entrou para o line-up da semana de moda paulistana. “Acho que tem que ser assim mesmo, pois isso nos ajuda a fazer um desfile em que todas as roupas da passarela sejam usadas comercialmente”, ressalta.

Em adaptação 

 Algumas marcas já se encontram no processo de adaptação ao sistema see now, buy now, como A. Brand, que conta com Ana Claudia Dias como diretora criativa. “Acredito que a moda contemporânea precisa ser bem ágil e desejável para que o consumidor sinta,  imediatamente, vontade de comprar o que ele viu”, reflete. A label, estreante na semana de moda,  disponibilizará peças idênticas às que foram desfiladas já no final de julho. “Às vezes fazemos desfiles com uma antecedência muito grande, se passa muito tempo e o consumidor acaba esquecendo da sua coleção, pois acaba sendo atropelada por outras”, pontua.

Outros formatos

Como o SPFW, a indústria ainda tem trabalhado de diversas formas. “Acho que o importante é não favorecer um tipo de modelo, deixar todos existirem”, diz Lilly Sarti. “As marcas que aderiram ao modelo são fortes em loja próprias. Para quem trabalha com multimarcas, é inviável”, explica. Outro lado da história é o de Paula Raia, especialista em trabalhos manuais, que valoriza o trabalho minucioso por trás da concepção de suas coleções. “Existe espaço para tudo, meu jeito de fazer moda é um contraponto ao see now, buy now. A minha forma de fazer devagar não significa que eu não terei novidades na loja semanalmente”, nos revela. “Fazer dessa forma implica uma organização maior, um tempo maior e um investimento maior”, complementa.

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