Foto: Divulgação
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Quando Bia Daidone trocou o mercado financeiro pela joalheria, seu primeiro desejo foi criar um cinto que pudesse ser o toque especial tanto em um look casual quanto em um de festa e, de quebra, pudesse trocar o couro acompanhando a mudança da roupa. A ideia deu certo, contagiou as amigas e mostrou que havia caminho para um business.

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Dois anos após o primeiro passo, ela retoma a mesma forma arquitetônica para dar corpo à série totalmente em ouro e com detalhes em pedras. Avessa à ideia de coleção, ela conta que gosta de enfatizar o caráter atemporal da joalheria, mesmo tendo trabalhado até agora com materiais mais acessíveis, como latão e prata com banho de ouro. “Gosto deles, não penso em parar. Sem contar que são perfeitos para peças maiores”, explica.

O novo desafio reúne dez joias que desdobram dois de seus best-sellers, o primeiro cinto, batizado de “Alexa”, hoje produzido apenas sob encomenda e que vira, por exemplo, um anel; e o brinco “Max”, inspirado no estilo do designer e arquiteto Max Bill. “É delicioso trabalhar o ouro. Foi uma descoberta”, diz ela, acomodada na cadeira de sua mesa de trabalho, bem ao lado da bancada, no ateliê localizado no Morumbi, em São Paulo, onde também recebe as clientes com hora marcada.

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Suas inspirações, invariavelmente, passam pela arquitetura e pela arte. Na sua mira estão também os traços de nomes como Frank Lloyd Wright, Calder, Magritte, Ettore Sottsass e Miró. Eles surgiram sutilmente em suas criações até o momento e continuam guiando seus próximos passos, como uma outra sequência, que está em produção, feita de prata e ouro e ainda sem data de lançamento.

Seu processo criativo passa, ainda, pela memória afetiva da infância e adolescência, quando curtia férias na casa de praia construída pelo avô em Ubatuba, no litoral paulista. “Ele era leigo, mas fez uma casa nada convencional, que incorporava uma pedra imensa no piso e tinha uma vista linda. Me emociono quando lembro desse lugar”, revela, acrescentando que herdou da mãe, que se dedica à cerâmica, e do tio, pintor, o gosto pelo experimental.

Ela conta que esse lado da família sempre chamou sua atenção. Formada em Administração e especialista em Business pela New York University, diz que voltou ao Brasil e mergulhou no mercado financeiro. “Mas não era feliz.” A reviravolta começou com cursos de desenho no Istituto Marangoni, em Milão e Londres, e outro específico de joalheria, em São Paulo.

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O indício definitivo de que estava no caminho certo veio do Moda Operandi, por causa de seu assessor, Rafael Azzi, que mediou o contato com o e-commerce fundado em 2010 por Lauren Santo Domingo e que já tem no portfólio joalheiros brasileiros como Ara Vartanian, Jack Vartanian, Ana Khouri e Carol Kauffmann. “Participei, no ano passado, do trunk show. Deu certo e recebi convite para integrar o portfólio de marcas.”

Por aqui, suas peças também estão no Gallerist. Inquieta, no ano passado Bia lançou collabs com a NK Store e Jo de Mer. Em ambas, trabalhou temáticas específicas das marcas incorporadas ao seu universo de peças statements e, ao mesmo tempo, levíssimas. Investir em acessórios poderosos faz parte do seu lifestyle.

Ela adora arrematar com eles looks confortáveis para o dia a dia e que passam, quase sempre, por jeans vintage. O processo criativo fervilhante tem levado Bia para a escultura. Ela já fez mesa em mármore e agora ensaia puxadores com pedras, enquanto planeja transformar o brinco “Max” em luminária.

Nesse meio-tempo, seu lado virginiano a incentivou a arranjar espaço na agenda para um curso no Museu Brasileiro de Escultura, com o artista Israel Kislansky, referência em figurativismo e fundição de obras de arte em metal. É assim, unindo criatividade, ousadia e perfeição, que ela vai conquistando espaços.

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