Fotos: Deco Cury
Fotos: Deco Cury

por Giuliana Mesquita

Em tempos de tendências que vêm e vão com velocida­de máxima, um pouco de constância faz bem. Mais ain­da, é desejável. Prova disso, a FIT, que completa 30 anos neste 2016, lança este mês co­leção-cápsula em comemora­ção às três décadas de moda minimalista e confortável que lhe deram fama. “Olhamos para coleções do passado e as transpusemos para os dias de hoje”, explica Renata Schmulevich, fundadora e diretora de criação da marca, sobre a primeira ação come­morativa (parcerias e coleções especiais já estão em anda­mento e serão apresentadas durante o ano).

São vestidos, suéteres, calças, saias e jaquetas que foram reinventados e pensados para o presente, em novas formas e estampas. “Pe­gamos alguns desenhos, como o coração, presente nos blusões esportivos, e passamos para um vestido mais sofisti­cado, com mistura de malha boucle, tweed e bordados”, ex­plica. “Trabalhamos com es­tampa de pois, em referência às bolas e aos círculos que usamos ao longo da nossa tra­jetória e que faz alusão ao nosso logo.”

Círculos, aliás, representam bem a história da FIT. Criada em 1986, pelas mãos de Re­nata, a marca começou com a ideia de trazer roupas confor­táveis para as mulheres que, à época, estavam descobrindo a ginástica aeróbica. Mas não pa­rou por aí. Logo, a estilista percebeu que o mercado estava ca­rente de peças elegantes, minimalistas, mas que, ao mesmo tempo, prezassem pelo conforto, mote principal da grife e bem antes de ser considerado hit das passarelas internacionais. Desde então, a fórmula – de muito sucesso – vem sendo rein­ventada e adaptada ao presente de maneira cíclica e contínua.

Fotos: Deco Cury
Fotos: Deco Cury

Fãs da marca e fashionistas de boa memória devem se lem­brar ainda que a FIT marcou presença nas primeiras semanas de moda made in Brazil. Em tempos de Morumbi Fashion, colocou Gisele Bündchen, Isabella Fiorentino, Isabeli Fontana e Mariana Weickert em sua passarela. Por que de­cidiu sair? “Foi muito bom para entender o processo que envolve participar de uma se­mana de moda, mas, como não buscávamos uma ima­gem  fashion, e pelo tamanho de empresa que tínhamos, não interessou continuar”, pontua. Hoje, mesmo bem focada em produtos atempo­rais, são lançadas quatro cole­ções anuais, sem a delimitação de estações. É que Renata não acredita em peças que durem apenas três meses. “Te­mos um estilo que está in­trínseco nas roupas. A cada coleção pensamos em como propor algo novo dentro do que já temos”.

Pensadas para serem usadas em qualquer ocasião, as peças da FIT não dão trabalho para serem lavadas e, muitas vezes, não precisam nem ser passa­das. É esse tipo de praticida­de que conquista a mulher contemporânea que trabalha, viaja, tem filhos, gosta de sair à noite e não tem tempo para perder (ou simplesmen­te não quer) passando suas peças favoritas. Foi assim, ali­ás, sem seguir tendências pas­sageiras, que a grife conse­guiu uma parcela importante do mercado, com clientela fiel que a segue há 30 anos. Desde o início, e muito antes da febre das colaborações, apostou em parcerias com artistas plásticos para criar estampas para suas modelagens de corte preciso, montar vitrines e dirigir criativamente os catálogos da marca. Nomes como Paulo Von Poser, Guto Lacaz, Bob Wolfenson, Kleber Matheus e Alex Cerveny são só alguns dos artistas que já emprestaram sua criatividade à FIT. “O mais in­teressante é que essas pessoas não tinham um padrão de moda e, por isso, os resultados eram inusitados.”