Foto: reprodução/ Instagram
Foto: reprodução/ Instagram Abury

Por Maíra Goldschmidt, de Berlim

Em 2008, ao se mudar para Marraquexe, no Marrocos, para cuidar da restauração do hotel Riad Anayela, Andrea Bury se deparou com técnicas artesanais que estavam desaparecendo em meio a produtos feitos em massa. Nada satisfeita, a empresária alemã arregaçou as mangas e fundou a Abury, uma marca de bolsas que presa pela produção ética e social através da colaboração entre designers e artesãos de diversas partes do mundo. A primeira coleção foi feita pelo francês Yannick Hervy no Marrocos; ano passado, Pam Samasuwo-Nyawiri, do Zimbabue, passou dois meses no Equador e, este ano, o canadense Adam French volta para o norte africano para criar as peças que serão lançadas em janeiro de 2017. A marca mantém também uma escola no Marrocos que atende 62 crianças. Além de ler e escrever, elas aprendem sobre meio ambiente, questões sociais, criatividade e saúde. Andrea conversou com exclusividade com a Harper’s Bazaar Brasil sobre os desafios, o método de trabalho e ainda sobre o desejo de descobrir o artesanato brasileiro. Confira!

Como lidar com todas as diferenças envolvidas no processo de criação e produção da Abury, como: geografia, governança, idioma?
O básico é ter respeito e abertura, estabelecer processos e orientações claras e bons briefings para designers e artesãos. O ambiente de cooperação deve proporcionar uma sensação de segurança para ambos. Nós aprendemos a cada projeto algo novo.

Como é feito o controle que garante que as comunidades produzam de maneira responsável, ou seja, que ofereçam boas condições de trabalho e utilizem materiais ecologicamente aceitáveis?
Para garantir padrões sociais, nós só trabalhamos com comunidades organizadas por associações, fundações ou cooperativas que já tenham como objetivo apoiar artesãos. Primeiro, fazemos uma pesquisa documental, em seguida, é feita uma visita para verificar a situação real. O designer, que se muda para a comunidade por dois meses, tem também como tarefa fazer uma avaliação social e ecológica da dinâmica de trabalho. Assim, nós conseguimos identificar quais áreas devem receber apoio da Fundação ABURY. Ecologicamente, verificamos a origem do material. No Marrocos, trabalhamos com um curtume certificado pela União Europeia e o designer trabalha na otimização de uso de materiais, na redução de resíduos, na reutilização de sobras etc.. É um trabalho em constante desenvolvimento.

 

Foto: reprodução/ Instagram
Foto: reprodução/ Instagram

O que acontece nas comunidades após esses dois meses de trabalho com o designer?
Nosso objetivo é estabelecer um relacionamento de longo prazo com as comunidades, só assim você pode realmente criar um impacto sustentável. O designer cria os protótipos com os artesãos que, depois, produzem todos os pedidos – o que os protege e garante a geração de empregos.

Em 2013, a designer brasileira Mayta Lara Leal foi para o Marrocos criar uma coleção. Há algum plano para fazer uma coleção no Brasil? Você conhece as nossas tradições artesanais?
Acreditamos que o Brasil tenha uma riqueza incrível em tradições artesanais. Temos o país em nosso radar. Se alguma comunidade artesanal estiver interessada em modernizar o seu ofício e promovê-lo no mercado internacional, deve entrar em contato com a gente! (www.abury.net).