Foto: Divulgação
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Depois de ter tomado emprestado o jérsei e as calças do guarda-roupa masculino, Coco Chanel tirou a camélia da lapela de dândis, como Marcel Proust, que viam nela um sinal de refinamento e ambiguidade, para decorar casualmente o cinto de sua blusa listrada Breton, em um verão à beira-mar. Pouco tempo depois, em 1923, ela usou o mesmo recurso como broche em um vestido preto de chiffon.

Estava selada, ali, a entrada da flor natural do Oriente na lista de símbolos adorados por mademoiselle e que hoje é sinônimo da marca que ela criou. Neste início de ano, a camélia é a protagonista de uma linha inteira de alta-joalheria. São 50 joias de altíssimo luxo e concepção ultramoderna: em 23 delas é possível multiplicar por cinco as possibilidades de uso.

A proposta reforça a tese de que Coco sempre esteve à frente do seu tempo. Desde que lançou sua primeira coleção, em 1932, ela acreditava que suas joias deveriam ser versáteis e destacáveis. “Você pode tirar uma parte e usar acompanhando um chapéu ou pele”, ensinava.

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Na versão mais atual dessa linha de pensamento, as camélias saem de um colar para virar broche e adereço de cabelo, arrematar pulseiras e anéis, ou, ainda, finalizar um cinto, abrindo possibilidades para que o colar e a pulseira sejam também usados de maneira minimalista, sem nenhum adereço. “Dessa maneira, o conjunto de joias não é mais imutável. A vida o transforma e o dobra às suas necessidades”, dizia a estilista.

À possibilidade de usar a mesma joia em vários looks, dando a impressão de que é sempre uma peça diferente, são acrescidas outras qualidades que giram em torno da camélia no universo de Coco: poderosa e discreta, sutilmente feminina, perfeita e com um quê de androginia.

Se em tecido ela já foi bordada, impressa, plissada e desfiada, feita de tweed, organza ou penas, na joalheria a flor, desde sempre, esteve conectada principalmente aos diamantes, que para Coco, representavam o maior valor no menor volume. Na primeira adaptação, com um broche, mais de mil diamantes brancos e negros foram dispostos como gotas de orvalho.

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Anéis, fivelas, relógios e colares também em cerâmica, ônix, coral, madrepérola e opala vieram na sequência. Entretanto, uma coleção totalmente dedicada à camélia, a Jardin de Camélias, veio somente em 2013, misturando pedras como turmalinas e safiras pink a diamantes amarelos e brancos.

A atual, 1.5, reúne apenas três cores: rosa (safiras e quartzo rosa), vermelho (rubis e espinelas) e branco (diamantes, pérolas cultivadas, madrepérola e opalas). A safira pink retorna em uma única peça, lapidada em formato de gota e posicionada em destaque no anel Rose Intense.

Outra peça importante é o anel Rose Tendre, com pétalas de quartzo rosa, diamantes e pérola sobre o corpo em ouro branco e rosé. Mas a mais poderosa, sem dúvida, é o colar Révélation, todo em diamantes, avaliado em 4,4 milhões de euros.

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Cerca de 20 artesãos – entre modeladores de joias, fundidores (fundição por cera perdida), joalheiros, especialistas em gemas, polidores e gravadores –, altamente capacitados, trabalharam nos dois últimos anos para dar vida à nova coleção, no Estúdio de Criação de alta-joalheria da Chanel. Além da oficina própria, a maison francesa também tem parcerias com outros 15 ateliês parisienses.

O lançamento da “1.5 Camélia” aconteceu no Salão Vendôme, durante a semana de alta-costura Verão 2019, no mês passado. No legado de Coco Chanel, a camélia deixou de ser apenas uma flor.

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