O estilo único de Carine Roitfeld/Fotos: Getty Images

A edição de março da Harper’s Bazaar Brasil celebra a estreia de Carine Roitfeld como diretora global de moda da publicação, em um editorial de 16 páginas com o melhor das coleções do verão 2013 internacional.

Mas, se o seu styling é de cair o queixo, o estilo pessoal é um dos mais comentados. Sempre no topo das listas das mais bem vestidas, Carine bateu um papo com a Bazaar UK sobre suas escolhas fashion, ícones e fases de experimentações. Confira aqui os melhores momentos da coisa toda:

Bazaar: Além de editora e stylist, você é um ícone de moda para muitas mulheres. Como descreveria seu look?
Carine Roitfeld: Meu look é muito simples. Depois de tantos anos, me conheço muito bem e sei o que fica bem no meu corpo – o comprimento da saia, o tipo de casaco, etc. Parece diferente, mas são os mesmos estilos de peças; uma saia na altura dos joelhos, as mesmas cores coordenadas ou tudo preto e saltos altos, porque me fazem parecer mais alta. Meu cabelo é sempre meio jogado no rosto e uso muito preto nos olhos.

Bazaar: Quais dicas de estilo você daria às mulheres Bazaar?
CR: Acredito que cada mulher, não importa a idade, tem que encontrar algo de bom no seu corpo. Podem ser as pernas, o cabelo, colo, cintura ou até as mãos. Todo mundo tem algo incrível. Eu, por exemplo, não tenho um colo bonito, mas gosto das minhas pernas, então deixo elas a mostra, assim como meus olhos – essas são minhas melhores partes. Cada mulher tem que se conhecer e pensar que as roupas existem para deixá-la mais bonita, porque a pessoa é mais importante do que as roupas. Apesar de ser apaixonada por moda, prefiro as pessoas. A moda serve para nos deixar mais confortáveis em nosso próprio corpo, mas não deve ser levada tão a sério.

Bazaar: Hoje em dia você se conhece bem, mas, quando se apaixonou por moda pela primeira vez, costumava experimentar bastante?
CR: Engraçado, hoje mesmo estava pensando em fazer um editorial como se tivesse 20 anos novamente. Eu era bem corajosa, usava mini shorts (risos), t-shirts e plataformas; era meio louca. Me lembro de ir esquiar de short jeans e não sentir frio – eu sempre esquiei muito bem, então não caia. Eu era estranha aos 20, meu look era muito justo e mini, então atualmente uso saias mais longas e me sinto corajosa quando uso transparências e renda preta, sempre com um twist francês. Quando era mais nova, não mudava a cor do meu cabelo, mas diria que era bem selvagem e é bom ter vinte anos e experimentar coisas diferentes.

Bazaar: Você tem algum ícone?
CR: Não. Existem pessoas que são muito chiques, como Diana Vreeland, que não era uma mulher bonita, mas sua elegância a tornou um ícone de moda. Mas ela não é alguém que eu queira copiar e eu não copio o look de ninguém. Me inspiro mais na personalidade, como a de Liz Taylor, meu maior ícone. Ela tinha uma energia incrível, era meio politicamente incorreta, mas era feliz e foi uma das primeiras em Hollywood a trabalhar com AIDS – quando a doença ainda era um tabu – , para fundar o amfAR. Liz tinha um espírito livre, muito amor e generosidade. É esse o tipo de pessoa que gostaria de ser.

Bazaar: Quem mais você admira na indústria?
CR: Existem muitos estilistas talentosos. Nicolas Ghesquière é um gênio, assim como Rei Kawakubo. Gosto quando um designer se torna um artista como Rei, sem ter a preocupação com vendas e sim com o amor pela criação. Amo Bruce Weber, acho ele um fotógrafo genial, principalmente porque ele ama pessoas, de todos os estilos. É muito inteligente ele ainda pensar assim depois de tantos anos, assim como Azzedine Alaïa, que tem um verdadeiro amor pelas mulheres e em vesti-las. Amo esse ponto de vista, de pessoas que realmente gostam do que fazem e não estão trabalhando por dinheiro ou para se tornarem celebridades. Admiro esse tipo de criatividade.

Fotos: Getty Images