As criações de Luiz Cláudio - Foto: reprodução
As criações de Luiz Cláudio – Foto: reprodução

Por Luigi Torre | Fotos: Marcio Del Nero

Luiz Cláudio faz jus à fama do mineiro que come quieto. “Se pudesse, seria como o Margiela, invisível, e deixaria só minhas roupas aparecerem”, diz ele, durante visita a seu showroom, em São Paulo. E, de fato, há pouco menos de um ano, quase ninguém o conhecia. Só aqueles que, interessados em suas roupas de formas puras e tecidos nobres, conseguiam um horário para visitá-lo em sua casa, em Belo Horizonte, daí o nome da sua etiqueta: a Apartamento 03.

Hoje ele é um dos mais promissores e talentosos estilistas brasileiros. Sua marca, com investimento do grupo NOHDA, de Patricia Bonaldi, é uma das mais elogiadas dentre as que desfilam no SPFW, evento em que estreou em novembro último. E isso é só o começo. Para este ano, estuda o lançamento de uma linha de moda praia e a abertura de sua primeira loja. “Ainda não sabemos onde”, confessa. “Mas quero ter um espaço em que a roupa seja vendida com um piso e um teto que conversem com ela. Quando você trabalha com lojistas, as coleções são compradas em fragmentos, e o consumidor não recebe a mensagem completa.”

Luiz é daqueles que entenderam, desde cedo, a importância de equilibrar as demandas comerciais e criativas. Entregar uma mensagem ou história coerente para si e para seus consumidores está entre suas principais preocupações. “No começo, minha roupa era muito livre. Já trabalhava em diversas outras empresas mais comerciais, e minhas criações eram verdadeiros exercícios. Não estava preocupado em seguir tendências, em fazer decote, em fazer comprimentos míni. E as mulheres adoravam!”

Era 2006 e o que começou como válvula de escape criativo virou business. O insight não foi muito diferente daquele que teve aos 7 anos, quando percebeu que, se aprendesse o ofício da mãe, a costura, poderia se sustentar, bem como ela sustentava toda a família. “Quando vi mulheres de diversas idades e estilos usando minhas roupas, percebi que devia levar aquilo a sério.” O nome já estava pronto. “Todo mundo falava, passa no Luiz Cláudio, do apartamento 03. E assim ficou.”

De lá para cá, pouco mudou em sua visão. Continua apaixonado por tecidos e suas transformações. “A roupa, para mim, nunca começa pelo desenho, mas pelo tecido. Faço primeiro a roupa que eu gostaria de vender, depois vou derivando para vários tipos de mulheres.” As faíscas criativas são várias. Geralmente, com alguma relação pessoal. Para o verão 2015, foram reflexões sobre o ataque terrorista ao jornal Charlie Hebdo, em Paris. “É uma coleção sobre tolerância religiosa e até onde ela vai em relação ao que você acredita.” Daí as formas puras, a silhueta alongada em camadas transparentes. Metáfora perfeita para a convivência em harmonia de elementos de origem tão distante quanto os bordados, rendas e amarrações em referência às mais diversas religiões.