Cecília Gama (Joy Model) veste sutiã Intimissimi, brincos Eduardo Caires, mix de pulseiras Rosa Benedetti e Lazara Design, cinto Balmain, meia-calça Calzedonia e sapatos Aquazzura – Foto: Cássia Tabatini, com edição de moda de Rodrigo Yaegashi, beleza de Magô Tonhon e Rapha da Cruz com produtos Chanel Beauty, produção de moda de Maria Flores Levy e Larissa Romano, produção executiva de Bruno Uchôa, assistentes de fotografia Maria Marioto, João Victor Nascimento e Jonathas Santos da Silva, manicure Rose Luna e tratamento de imagem Victor Wagner

Nesta quinta-feira (15.10), chegou ao final a primeira temporada de “Born to Fashion“, primeiro reality show brasileiro que visa abrir espaço para modelos trans no mercado de moda nacional, e, finalmente, descobrimos o nome da vitoriosa: Cecília Gama. Como anunciado no programa, um dos prêmios ganhados pela modelo foi estrelar a capa digital da Harper’s Bazaar de outubro – e o resultado é impecável!

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Nascida em Valença, mas criada no Município de Corte de Pedra, baixo sul do interior da Bahia, Cecília nunca havia imaginado que conseguiria trabalhar nesta área. “Antes da minha transição, me achava muito magra. Só comecei a me enxergar nesta indústria a partir do programa, quando conheci outras referências de pessoas trans no mercado da moda. Claro que conhecia Lea TValentina Sampaio, mas para mim eram inspirações muito distantes. O programa me ajudou a entender que posso estar neste lugar e espaço”, revela.

Cecília Gama (Joy Model) veste sutiã Intimissimi, brincos Eduardo Caires, mix de pulseiras Rosa Benedetti e Lazara Design, cinto Balmain, meia-calça Calzedonia e sapatos Aquazzura – Foto: Cássia Tabatini, com edição de moda de Rodrigo Yaegashi, beleza de Magô Tonhon e Rapha da Cruz com produtos Chanel Beauty, produção de moda de Maria Flores Levy e Larissa Romano, produção executiva de Bruno Uchôa, assistentes de fotografia Maria Marioto, João Victor Nascimento e Jonathas Santos da Silva, manicure Rose Luna e tratamento de imagem Victor Wagner

Antes de entrar no programa, Cecília estava cursando faculdade de psicologia. A modelo iniciou o curso aos 17 anos e, aos 18, deu início à transição de gênero. “Já pensava na minha transição antes de iniciar a faculdade, porém foi nesta época que comecei a entender os privilégios que tinha. Mesmo sendo uma pessoa trans, ainda sou uma mulher branca que teve acesso à educação. Comecei a entender melhor como essas perspectivas funcionavam”, analisa.

Cecília usa vestido Saint Laurent por Anthony Vaccarello, brincos Diviníssima Acessórios, mix de pulseiras Rose Benedetti e Lázara Design, meias Wolford e sapatos Aquazzura – Foto: Cássia Tabatini, com edição de moda de Rodrigo Yaegashi, beleza de Magô Tonhon e Rapha da Cruz com produtos Chanel Beauty, produção de moda de Maria Flores Levy e Larissa Romano, produção executiva de Bruno Uchôa, assistentes de fotografia Maria Marioto, João Victor Nascimento e Jonathas Santos da Silva, manicure Rose Luna e tratamento de imagem Victor Wagner

Ao final do programa, Cecília decidiu trancar a faculdade para se dedicar à moda. “Quando voltei às aulas, me senti um pouco perdida. Estava muito encantada com a moda e queria muito trabalhar com isso, me sentia viva. Então acabei desencantando um pouco. Na mesma época, tive alguns problemas de aceitação com a minha mãe. Então fui morar com a Luna [Ventura, participante do reality]”.

Cecília Gama (Joy Models) usa jumpsuit Ken-gá, brincos Diviníssima Acessórios, braceletes Rose Benedetti, acessório de mão Gucci, meias Calzedonia e sapatos Aquazzura – Foto: Cássia Tabatini, com edição de moda de Rodrigo Yaegashi, beleza de Magô Tonhon e Rapha da Cruz com produtos Chanel Beauty, produção de moda de Maria Flores Levy e Larissa Romano, produção executiva de Bruno Uchôa, assistentes de fotografia Maria Marioto, João Victor Nascimento e Jonathas Santos da Silva, manicure Rose Luna e tratamento de imagem Victor Wagner

Além das provas e dos prêmios, a amizade com a integrante foi um dos fatores que mais marcou a modelo. “Aprendo muito com ela sobre posicionamento. Como devo me posicionar, sobre pautas que acho importante que pessoas trans carreguem. O programa me ajudou a me entender melhor e enxergar outras perspectivas de vida”, conta.

A representatividade

Cecília Gama usa vestido Miu Miu, brincos Eduardo Caires e meias Wolford – Foto: Cássia Tabatini, com edição de moda de Rodrigo Yaegashi, beleza de Magô Tonhon e Rapha da Cruz com produtos Chanel Beauty, produção de moda de Maria Flores Levy e Larissa Romano, produção executiva de Bruno Uchôa, assistentes de fotografia Maria Marioto, João Victor Nascimento e Jonathas Santos da Silva, manicure Rose Luna e tratamento de imagem Victor Wagner

“Acho o programa muito importante não só para pessoas trans, mas para pessoas cisgêneras. É um bom começo, porque vejo que tem um longo caminho a ser trilhado, para as pessoas entenderem melhor sobre nossas vivência, demandas e que no final das contas a gente só quer respeito. Queremos ser vistas como pessoas normais e um projeto como esse é muito positivo”, analisa Cecília sobre a representatividade do reality.

Cecília veste tricô e saia Louis Vuitton, brincos Eduardo Caires, mix de pulseiras Rose Benedetti e Lázara Design, meias Wolford – Foto: Cássia Tabatini, com edição de moda de Rodrigo Yaegashi, beleza de Magô Tonhon e Rapha da Cruz com produtos Chanel Beauty, produção de moda de Maria Flores Levy e Larissa Romano, produção executiva de Bruno Uchôa, assistentes de fotografia Maria Marioto, João Victor Nascimento e Jonathas Santos da Silva, manicure Rose Luna e tratamento de imagem Victor Wagner

Quando o assunto é seu próprio desenvolvimento, a modelo analisa que “Born to Fashion” foi muito importante para que ela pudesse se enxergar dentro do mundo da moda e que ela pode ter um retorno positivo na profissão. Para a ela, participar do programa foi extremamente confortável, principalmente por estar na presença de outras dez travestis – incluindo Alice Marconi, integrante da bancada de jurados. Apesar de perceber que se sentia retraída em frente às câmeras no início do programa, Cecília percebeu um processo de aprendizado ao longo dos episódios e foi se soltando mais.

Cecília Gama usa vestido Dolce & Gabbana, brincos Diviníssima Acessórios, bracelete Rose Benedetti, meias Calzedonia e sapatos Prada – Foto: Cássia Tabatini, com edição de moda de Rodrigo Yaegashi, beleza de Magô Tonhon e Rapha da Cruz com produtos Chanel Beauty, produção de moda de Maria Flores Levy e Larissa Romano, produção executiva de Bruno Uchôa, assistentes de fotografia Maria Marioto, João Victor Nascimento e Jonathas Santos da Silva, manicure Rose Luna e tratamento de imagem Victor Wagner

“No começo, recebi alguns feedbacks negativos por conta da edição. Mas nós entendemos o que as pessoas gostam de ver e o que vende mais. Mas ao longo da trajetória e nos últimos episódios, comecei a ouvir comentários muito positivos. Recebo muitas mensagens de pessoas trans falando que sou uma inspiração e que torcem por mim, acho isso lindo”, conta.

O editorial

Cecília veste body e saia Gucci, braceletes Rose Benedetti, meias Calzedonia e sapatos Alexandre Birman – Foto: Cássia Tabatini, com edição de moda de Rodrigo Yaegashi, beleza de Magô Tonhon e Rapha da Cruz com produtos Chanel Beauty, produção de moda de Maria Flores Levy e Larissa Romano, produção executiva de Bruno Uchôa, assistentes de fotografia Maria Marioto, João Victor Nascimento e Jonathas Santos da Silva, manicure Rose Luna e tratamento de imagem Victor Wagner

Nossa publisher, Patricia Carta, foi a responsável por avisar as competidoras de “Born to Fashion” que um dos prêmios da disputa seria um editorial para a Bazaar – e Cecília amou a experiência. “Foi a primeira vez que me senti livre para usar meu corpo da forma que queria. Tive essa liberdade e a Cássia Tabatini foi incrível. O posicionamento, o mood, as fotos… Amei estar naquele espaço”, lembra.

Look total Chanel – Foto: Cássia Tabatini, com edição de moda de Rodrigo Yaegashi, beleza de Magô Tonhon e Rapha da Cruz com produtos Chanel Beauty, produção de moda de Maria Flores Levy e Larissa Romano, produção executiva de Bruno Uchôa, assistentes de fotografia Maria Marioto, João Victor Nascimento e Jonathas Santos da Silva, manicure Rose Luna e tratamento de imagem Victor Wagner

Cecília analisa que o editorial – que teve a beleza assinada pelas maquiadoras trans Magô Tonhon e Rapha da Cruz – é um exemplo simples de como a indústria da moda pode ser mais representativa. “Foi muito importante ter outras duas travestis lá, incluindo uma travesti preta. Me senti muito confortável, porque são das minhas, né? Quero que o mercado entenda: a melhor forma de nos apoiar é nos dando oportunidade”, comemora.

Cecília usa vestido Estúdio Traça, brincos Eduardo Caires, mix de pulseiras Rose Benedetti e Lázara Design, meias Calzedonia e sapatos Aquazzura – Foto: Cássia Tabatini, com edição de moda de Rodrigo Yaegashi, beleza de Magô Tonhon e Rapha da Cruz com produtos Chanel Beauty, produção de moda de Maria Flores Levy e Larissa Romano, produção executiva de Bruno Uchôa, assistentes de fotografia Maria Marioto, João Victor Nascimento e Jonathas Santos da Silva, manicure Rose Luna e tratamento de imagem Victor Wagner

“Temos um trabalho muito bacana, só que, por diversos motivos, a nossa sociedade não é muito aberta. Se estou aqui hoje é porque tive certos acessos e entendo que existem pessoas que não tiveram as mesmas chances. Por isso que o primeiro passo é dar oportunidade para pessoas negras, travestis negras que estão precisando de trabalho. Porque a gente sabe fazer, só precisamos desta chance”, acrescenta Cecília.

A moda

Cecíclia veste blusa e top Teodora Oshima e gargantilha Eduardo Caires – Foto: Cássia Tabatini, com edição de moda de Rodrigo Yaegashi, beleza de Magô Tonhon e Rapha da Cruz com produtos Chanel Beauty, produção de moda de Maria Flores Levy e Larissa Romano, produção executiva de Bruno Uchôa, assistentes de fotografia Maria Marioto, João Victor Nascimento e Jonathas Santos da Silva, manicure Rose Luna e tratamento de imagem Victor Wagner

“A moda para mim é uma expressão artística. É como demonstro meu corpo, como brinco, é quem eu sou. Como uma mulher travesti gosto de trazer isso na câmera e mostra a minha corporalidade”, afrima a modelo que, depois do fim do programa, sonha em viajar o mundo trabalhando – e quer trabalhar muito.

Camisa e casaco Balmain, hot pants Intimissimi, meias Calzedonia e sapatos Prada – Foto: Cássia Tabatini, com edição de moda de Rodrigo Yaegashi, beleza de Magô Tonhon e Rapha da Cruz com produtos Chanel Beauty, produção de moda de Maria Flores Levy e Larissa Romano, produção executiva de Bruno Uchôa, assistentes de fotografia Maria Marioto, João Victor Nascimento e Jonathas Santos da Silva, manicure Rose Luna e tratamento de imagem Victor Wagner

Entre suas maiores inspirações, cita Teddy Quinlivan e Raya Martigny, mulheres trans que, além de compartilhar seu trabalho, usam suas redes sociais para apresentar seus posicionamentos. “Também temos que trabalhar pautas que são importantes para nossa comunidade. Acho que não basta chegar lá e pouco, tem que representar as pessoas que estão por trás de nós. Sei que estou aqui agora, mas tem milhares de manas pretas, manas trans atrás de mim e quero estar sempre aprendendo para levar esta mensagem também”, afirma.

Cecília Gama (Joy Model) veste sutiã Intimissimi, brincos Eduardo Caires, mix de pulseiras Rosa Benedetti e Lazara Design, cinto Balmain, meia-calça Calzedonia e sapatos Aquazzura – Foto: Cássia Tabatini, com edição de moda de Rodrigo Yaegashi, beleza de Magô Tonhon e Rapha da Cruz com produtos Chanel Beauty, produção de moda de Maria Flores Levy e Larissa Romano, produção executiva de Bruno Uchôa, assistentes de fotografia Maria Marioto, João Victor Nascimento e Jonathas Santos da Silva, manicure Rose Luna e tratamento de imagem Victor Wagner

Para quem, como ela, sonha em trabalhar com moda, Cecília deixa o seu recado: “Você tem que tentar o máximo, dar o seu suor. Porque a gente é travesti, precisamos dar duas vezes mais para ter metade do que as pessoas cis têm. Um conselho que dou para quando queremos nos sentir mais tranquilas em relação ao nosso corpo é parar de se comparar com cisgêneros. Nossa estrutura corporal é diferente, então comece a seguir pessoas que você gosta e que tem o mesmo perfil de beleza que você. Porque nós temos muita beleza e precisamos apreciá-la”, finaliza.