Por Luigi Torre 

Roupas demais, acessórios demais, coleções demais, tendências demais. Quando tudo é demais, é no simples e familiar que encontramos conforto e segurança. E assim, no inverno 2016 da Céline, Phoebe Philo deixa um pouco de lado a exploração (e experimentação) sobre o que define o vestir da mulher do século 21, para se concentrar naquilo que fez sua fama à frente da marca: a silhueta ampla e alongada, sempre confortável e indefectivelmente prática. Pantalonas com leve corte flare, sob maxicasacos, túnicas transparentes e ajustadas sobre camisas amplas, suéteres de proporções infladas com com blusas de gola rulê, todos os elementos-chave do closet da mulher Céline, agora um pouco mais oversized e sempre meio amassadinha e torções, como de roupas que custamos a desapegar (e tirar do corpo).

O resultado final é uma imagem que foge da perfeição e, justamente por isso, ganha todo um novo apelo. Apelo de conforto e segurança, típico daquelas peças que duram anos e são espécie de porto-seguro do nosso guarda-roupa. É verdade que estamos mais acostumados a ver Phoebe Philo liderando do que acompanhando as vontades do momento (as sobreposições, as mangas alongadas, a silhueta oversized, as bolsas amarradas ao corpo). Mas quando se discute tanto o timing e estrutura do sistema da moda e tudo parece tão incerto, é bom lembrar daquilo que serve de base para nosso dia a dia.