Céline verão 2016 - Foto: getty images
Céline verão 2016 – Foto: getty images

Por Luigi Torre

Tensão tem se mostrado uma palavra recorrente para descrever algumas das melhores coleções desta semana de moda de Paris. Na Loewe, falamos da tensão entre materiais e noções de luxo, justapostas a elementos tão banais ou usuais como plásticos e cacos de espelho. Na Dior, foi a tensão entre novo e velho, passado e futuro. Hoje, numa espécie de tenda criada pelo arista dinamarquês Thomas Poulsen, conhecido como FOS, Phoebe Philo, na Céline, também apresentou algumas tensões, ainda que num nível mais conceitual ou até mesmo filosófico.

O desfile abre com vestidos-camisola de cetim barras rendadas, levemente amassados, como se já estivessem sido usado ou recém-saído de uma mala. Alguns vêm acompanhados de calças cropped de corte reto, arrematadas com botas pesadas ou sapatos baixos de bico fino. Haviam também vestidos de algodão com mangas infladas e cinturas marcadas com estruturas tipo corset; amplas calças xadrez combinadas com longos casacos de mesma padronagem; blusas com cintura imperial com calças algo utilitárias; parkas militares; e vestidos de tricô caindo levemente sobre o corpo.

Num primeiro olhar, o uniforme a ideal para aquela mulher urbana com mil e uma funções, que Philo entendeu e decodificou tão bem. Porém, o efeito amassado em muitos dos looks, a aparência de roupas já vividas sugeria algo um pouco além. Após a apresentação, a estilista disse que estava pensando sobre a natureza, numa possível fuga da vida urbana. “Sou uma pessoa interessada em como as roupas nos fazem sentir e como nos comportamos em diferentes lugares. Pensei, se você estivesse viajando por um ano, o que você precisaria levar com você?”

A ideia de escapismo é recorrente nessa temporada, mas para Philo significa algo mais. Não é mera fuga da realidade. É a busca por uma outra realidade, levando o que lhe é mais essencial, o que lhe define. Daí o guarda-roupa que cobre todas suas principais necessidades, que lhe confere conforto e segurança. Assim, diferentemente da excentricidade das últimas coleções, o verão chega mais fundamentado em peças que fazem a diferença na vidas das mulheres. Sim, há aqui temas centrais do momento: as mangas volumosas dos anos 1980, os slip dresses dos anos 1990, a alfaiataria solta do corpo, as calças de corte reto. Porém, aqui trabalhados de uma maneira nada non-sense e frívola. Afinal, mulher Céline não é a fashionista musa do street style. Seu guarda-roupa tem menos peças statement e mais conexão prática com suas necessidades reais e desejos dos mais íntimos.

Veja as fotos do desfile: