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Por Alexandra Forbes

Já faz um tempo que pedir uma cervejinha deixou de ser tarefa simples. Bares e restaurantes surgiram com prateleiras forradas de garrafas de uma infinidade de marcas e montes de “sommeliers de cerveja”. Virou moda, em restaurantes bacanas como o Tuju, em São Paulo, harmonizá-las com pratos. As cervejas artesanais passaram de reles desconhecidas a meninas dos olhos de botequeiros. Surgiram eventos dedicados ao tema, sites e escolas, como o Instituto da Cerveja. Até a vinícola Casa Valduga lançou cerveja premium, que vem em garrafa de champanhe e custa R$ 129 (!).

Microcervejarias estão se multiplicando a passos largos por todo o país. Por um lado, a variedade instiga. Por outro, confunde. O que pedir? “As cervejas estão bombando, mas ainda é um microcosmo. Estamos longe de as pessoas saberem escolher, elas não têm a menor ideia”, diz Carolina Oda, gerente de cervejas da Ici Brasserie.“A dificuldade começa nos ingredientes, pois dá para fazer cerveja de muita coisa, não é como o vinho, sempre produzido com uvas. Existem cervejas de mandioca, de cana-de-açúcar…” tente beber algumas de uma vez. É comparando que se aprende. Umas são amargas, outras cítricas. Umas leves e secas, outras encorpadas e pesadas.Umas são doces, outras lembram café e chocolate. Não se preocupe em mapear as características de cada tipo de cerveja (Stout, ipa, pilsen,Wittbier etc.) – dentro de cada categoria há subcategorias e é coisa para se estudar longamente.Aficionados defendem as artesanais e pintam de vilãs as industriais. Mas tamanho não é documento, ainda mais quando as gigantes começaram a comprar vérias das pequenas, como fez a Ambev com a Colorado.“Tem muita cervejaria pequena e ruim”, pondera Edu Passarelli, professor do Instituto da Cerveja.

A dica? desencanar das denominações e beber, simplesmente,“sem se prender aos estilos”, aconselha o cirurgião vascular Marcelo Cury, estudioso no assunto e autoridade no meio.“No supermercado, leia os rótulos, porque a maioria explica, no verso, se é frutada, doce, amarga etc”, diz ele. Procure as chamadas session. O termo designa todas as versões light dos tipos de cerveja tradicionais. Menos álcool, menos calorias, mas as mesmas notas olfativas e gustativas.
As sessions caem bem especialmente para quem recusa uma cerveja para não engordar (quem nunca?).“Cerveja é pão líquido, contém glúten e carboidratos”, como bem compara Carolina. Entretanto, engorda menos do que se imagina. Dependendo da cerveja, pode ser menos calórica do que vinho branco e suco de laranja.“O problema é que, por ser fácil de tomar, a gente acaba bebendo maior volume”, diz Cury.“Consumida com moderação, nem barriga causa.Tem até corredor que usa cerveja como isotônico nas provas!” pense em qualidade e não em quantidade: há bares perfeitos para pedir pequenas doses e, assim, provar várias de uma vez, como o Brewdog, em São Paulo. Há também cada vez mais lugares onde ninguém vai estranhar se você pedir diferentes cervejas de uma vez para experimentar (Sagarana e Cateto, em São Paulo; Brewteco, Botto Bar e Escondido, no rio). ou ainda, mais fácil: compre uma série delas para levar para a praia nas férias, impressionando a todos com o pot-pourri etílico.Tem coisa mais ‘verão 2016’?