Bolsa de couro e madeira, US$ 1.495 (cada) - Foto: divulgação
Bolsa de couro e madeira, US$ 1.495 (cada) – Foto: divulgação

Por Paula Rita Saddy

Estilo simples e gosto refinado são predicados comuns quando se fala em Chloé Perrin, designer da nova geração de criadores (como Jacquemus, Repossi, Julien Dossena, Marie Marot e os estilistas da Courrèges, Sébastien Meyer e Arnaud Vaillant) que estão redefinindo e modernizando o mercado de luxo parisiense. São dela as bolsas vistas por quem circula (e causa inveja) no circuito insider de Paris. Mais ao sul da linha do Equador, seus modelos de linhas precisas são um tanto desconhecidos, daquele achados que fazem diferença nos looks de garotas de faro fino, como as irmãs Cassou, do e-commerce Gallerist.“Criar bolsas é um exercício de estilo, pois uma bolsa é como uma miniobra de arte, e, para mim, precisa ser atemporal”, diz a franco-americana de 25 anos, em entrevista à Bazaar.

Chloé Perrin - Foto: divulgação
Chloé Perrin – Foto: divulgação

Chloé Perrin é herdeira de uma das lendárias marcas da moda francesa. Fundada pela sua família em 1893, a Maison Perrin chegou a ser a mais famosa grife de luvas de luxo na Paris da Belle Époque. Nos anos 1920, teve lojas nos Estados Unidos e na Austrália, feito inédito na época. Mas,com o declínio do uso de luvas nos anos 1960,viu-se forçada a fechar as por- tas ao público e passou a fornecer couro para outras empresas.Foi apenas há alguns anos que o pai de Chloé, depois de tentar carreira na área de tecnologia, decidiu reinvestir na marca e reabrir o negócio, dessa vez, com menos foco nas luvas e mais nos acessórios – e com direção criativa de sua filha. Foi ela, aliás, uma das responsáveis por fazer da Glove Clutch, uma carteira com design em que a mão se encaixa como uma luva, um dos best sellers da label e melhor tradução de sua evolução.

Bolsa inspirada em balde de champagne,US$ 1.495 (cada) - Foto: divulgação
Bolsa inspirada em balde de champagne, US$ 1.495 (cada) – Foto: divulgação

O posto de diretora de criação,contudo,não veio de mão beijada – porque ela mesma não quis.Antes de assumir o cargo, que ocupa desde 2014, optou por passar dois anos trabalhando na loja da marca em NovaYork, após terminar os estudos de moda no Studio Berçot.“Antes de assumir a direção criativa, precisava ter esse contato com o público e descobrir as nossas clientes.” Longe da ostentação, ela cultiva um estilo low profile. Fã de Caroline Besset Kennedy e Catherine Deneuve, confessa não se sentir atraída pela moda nem seguir tendências. “Me inspiro e penso mais na decoração de interiores, na arquitetura, na arte contemporânea, gosto de peças que tenham história.” Seu apartamento em Paris, decorado em tons claros e com peças de antiquário, é como uma caixa de curiosidade. Cada objeto carrega uma história, como as porcelanas assinadas por Christian Lacroix, o toca-discos e a coleção de vinis, a máscara comprada nos anos em que morou emVeneza e muitos outros objetos garimpados nos fins de semana em Saint-Ouen, grande feira de antiguidades nos arredores de Paris.

Clutch - Foto: divulgação
Clutch – Foto: divulgação

Desde a chegada de Chloé à empresa, com seu olhar fresh, tudo é trabalhado nos mínimos detalhes.“Eu mesma aprendo todos os dias”.Da comunicação à produção de catálogos,tudo passa por ela e sua equipe, composta somente por profissionais com menos de 30 anos. “Gosto de ter a oportunidade de gerar empregos para a nova geração, que é motivada e cheia de energia.” Sua última criação, uma bolsa saco inspirada nos baldes de champagne, tem o humor e, ao mesmo tempo, todo o classicismo para virar um ícone de design.“Se você a vir em uma estante, nem pensa que é uma bolsa”, finaliza.