Por Ligia Carvalhosa

Num jogo de contraposição entre fluido e estruturado, luxo e decadência, inocência e sensualidade, Raf Simons dá continuidade à seu exercício de propor uma couture para ser usada além do habillé e conectada às necessidades da vida moderna (ainda que uma superluxuosa). A leveza dos vestidos de seda é sobreposta, ora por pesados casacos de lã com mangas e golas de pele, ora por coletes bordados com argolas metálicas.

Bem como na Versace, aqui influências 70’s e uma certa imperfeição perfeita se fazem presentes – e muito desejáveis. Nos pés, sandálias de micropaetes coloridos lembram que a inspiração veio dos jardins impressionistas e da pintura holandesa do século 17, com destaque para Jardim das Delícias, de Hieronymus Bosch. Mas esqueça a atmosfera romântica, o desfile, que começa mais austero, com looks fechados de cima a baixo e vai se transformando até chegar a uma série de vestidos que deixam todo o perfil à mostra – é o sexy cool que Raf vem provando que sabe fazer. “Não é um jardim de flores, mas um jardim sensual”, explica.