Chufy chega ao Iguatemi 365 – Foto: Divulgação

Por Jorge Wakabara

Quando a gente pergunta para Sofia Sanchez de Betak se ela gosta mais de moda ou de viajar, ela nem hesita: “Viajar. Moda é um extra, um plus, um fator divertido da vida. Não é o centro, o que vem antes é amor, família.” E a pergunta vem a calhar porque ela, uma argentina de Buenos Aires que mora em Nova York, fez dessa fissura por carimbos no passaporte uma profissão.

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Abriu sua marca de moda Chufy, que existe desde 2017, com o espírito viajante na sua essência. “É a ideia de levar a viagem com você, como quando a gente compra um souvenir. Um lenço ou um vestido em uma feira da Tailândia que usamos no Rio ou em Nova York, sabe? Vejo quase como carregar um segredo: ainda estou de férias, contente, apaixonada. É essa energia que você traz de viagem e fica, te mantendo leve e mais feliz no seu dia a dia”.

Nas referências da Chufy, que chega ao Brasil agora via o e-commerce Iguatemi 365, Sofia também mistura suas origens gaúchas, brincando com a dualidade “urbano e rural”, ao mesmo tempo refinada e rústica, confortável e colorida. E outra identidade que a label absorve é a da “roupa da viagem” que funciona no cotidiano, com o tecido e caimento certos – aquele achado do mercado de rua que não vai ficar deslocado no meio do seu guarda-roupa.

Chufy chega ao Iguatemi 365 – Foto: Divulgação

A origem dessa alma cigana da estilista vem da mãe dela, que tem uma agência de viagens: “Ela sempre achou que eu aprenderia mais viajando do que na escola, então me tirava das aulas e me levava aos lugares. Não foi bom para a programação escolar, mas me lembro bem do que aprendi no Egito, em países africanos… Gravei melhor do que se tivesse só lido livros.”

Entre as inspirações de coleções anteriores da Chufy, já apareceram a própria Argentina e o Japão, mas nada é muito literal. Está mais para o que a própria Sofia curte levar na mala: “Gosto de me sentir bem nas minhas viagens. Isso não quer dizer shorts cáqui ou look de mochileiro. Ao mesmo tempo, quero estar confortável, não carrego um monte de looks e acessórios. Vestidos com estampas marcantes são bonitos e práticos, e também são fotogênicos”. Ela conta com colaborações de artesãos e jovens designers dos locais que viraram os motes da criação para desenvolver as peças da label.

O papo com Bazaar rendeu, a ponto de Sofia também reforçar o lado de descoberta que uma viagem pode causar e a necessidade de ajuda humanitária que ela pode despertar, com voluntariado e doações. Explicou que foi para o Quênia recentemente e, só assim, descobriu a realidade difícil de crianças que comiam na escola e, com as medidas de isolamento social, perderam uma refeição: “Isso a gente não vê no noticiário”.

Chufy chega ao Iguatemi 365 – Foto: Divulgação

Com a Covid-19 e lockdowns, nos últimos tempos Sofia ficou entre Maiorca e Paris (seu marido, Alexandre de Betak, é francês e já criou cenários incríveis de desfiles de moda; o morro de lavanda da Dior no Spring 2016, no Louvre, é dele, por exemplo). E a gente não deixou de perguntar: uma viajante-maníaca como ela não está sofrendo com as restrições da pandemia? “Sinto falta demais, porém viajar é muito complicado atualmente. Fazer as malas, se organizar, passar por aeroporto, alfândega; tudo ficou mais duro e desafiador. Não pulo em um avião tão rapidamente como antes. Tento otimizar. Se for viajar a trabalho, que seja para cinco compromissos e não apenas um. Cruzar o Atlântico para um job só, não dá mais.”