Por Sylvain Justum

O verão de Adriana Degreas é baiano, com todos os seus santos e símbolos tradicionais, religiosos ou não.

Das escravas Anastácia e nega Fulô, passando por Iemanjá, patuás e homenagens a Sto Antônio – afinal, hoje é 13 de junho -, a coleção viaja por nossas raízes, até ancorar seu iate na Baía de Todos os Santos, onde começa a festa das convidadas elegantes da estilista.

E elas estão produzidas à altura, com longos caftãs e vestidos fluidos, hot pants e sutiãs bojudos – alguns até pontiagudos, como no ótimo look de Marcelia Freesz, de saia longa perolada -, maiôs rebuscados e ouro, muito ouro.

O gosto pelo reluzente vem da liberdade conseguida pelas escravas, dispostas e demonstrar seu novo status. O dourado volta nos arabescos, vazados no tule, e nas sandálias minimalistas, perfeito complemento para looks tão cheios de informação.

São bem elegantes as entradas mais limpas, em preto e branco, nude ou em tons lavados. Seda, lamê, jérsei e jacquard dão forma à coleção.

Entre bordados cheios de brilho, como os das peças teladas ao estilo das redes dos pescadores, e outros em 3D como as margaridas – que também existem em versão estampa -, destaque para os prints de arte barroca.

O bloco final, de lingerie transparente, quase ingênua, decorada por babados, é pura delicadeza.

O melhor look: O conjunto de túnica e calça pijama de seda estampada com print barroco de Barbara Berger

O acessório: a sandália minimalista, de calcanhar coberto e tira finíssima sobre os dedos, para dar postura sem roubar a cena

O mimo: a medalhinha de Sto Antonio distribuída aos convidados