Elie Top - Foto: reprodução / Harper´s Bazaar
Elie Top – Foto: reprodução / Harper´s Bazaar

Por Armando Palha

Na última semana de alta-costura em Paris, a apresentação mais concorrida não aconteceu sobre nenhuma passarela, nem era composta por roupas feitas manualmente, com o máximo primor e qualidade nos materiais – ainda que essas características sejam perfeitamente aplicáveis. Foi na Galerie Miterrand, no Marais, entre as amigas e admiradoras Kristin Scott Thomas, Inès de la Fressange, Catherine Deneuve e Marisa Berensonque, que Elie Top, designer há 15 anos responsável pelas bijoux-desejo da Lanvin, apresentou sua primeira coleção solo de alta-joalheira.

“Foram dois anos para sair do papel”, explica ele sobre a empreitada.“Como trabalhei por muito tempo para outra marca, precisava me achar, definir minha própria estética.” A busca, contudo, foi mais do que bem-sucedida. É fácil encontrar em seu début traços que marcaram seus anos na Lanvin: o aspecto pesado, a utilização de materiais não convencionais e o recorrente e interessante emprego de articulações mecânicas. Ao todo, são vinte peças, com pedras preciosas e semipreciosas, que combinam formas puras da natureza com outras industriais. Todas inspiradas em globos terrestres e celestes dos séculos 16, 17 e 18, apresentados em uma exposição na galeria de antiguidades dos irmãos Kugel. E já a venda na Colette e, com hora marcada, em seu ateliê na Rue Saint-Honoré.

A trajetória de Elie Top é daquelas histórias tão perfeitas que parecem mentira. Questão de estar no lugar certo, na hora exata. Criado na região de Nord-Pas-de-Calais, província industrial no norte da França, ele se expressava por meio do desenho desde a infância. “Desenhava profusa e precisamente”, relembra ele, sobre seu fascínio em retratar castelos e igrejas barrocas. Aos 11 anos, decidiu que queria exercer uma carreira na moda.

Aos 17, seguiu para Paris para estudar Design de Moda no renomado Chambre Syndicale de la Couture Parisienne. Em apenas dois anos, conquistou um estágio na Yves Saint Laurent. Foi lá que conheceu Alber Elbaz, estilista recém-contratado para desenhar a coleção do prêt-à-porter feminino.

Articulados: anel de ouro, prata e onyx em versão aberta e fechada; e aneis de ouro, prata e diamantenas versões aberta e fechada - Foto: reprodução / Harper´s Bazaar
Articulados: anel de ouro, prata e onyx em versão aberta e fechada; e aneis de ouro, prata e diamantenas versões aberta e fechada – Foto: reprodução / Harper´s Bazaar

“Era um garoto e o Alber não sabia muito bem onde me encaixar. Como precisava de alguém para desenhar os acessórios e as joias, foi lá que me colocou”, resume, sobre o início de sua parceria com o atual diretor de criação da Lanvin. “Hoje,temos uma compreensão intuitiva. Basta o Alber dizer uma palavra e já sei, imediatamente, o que quer, sem precisar de detalhes. Ao mesmo tempo, ele me dá liberdade de fazer o que eu quero.”

Apesar das paixões por sacerdotais e tribais e pela dicotomia entre natural e industrial, Elie acredita ter um sexto sentido para suas criações. O que, de fato, é difícil de discordar: “Tenho minhas preferências, mas consigo amar e encontrar beleza em quase qualquer coisa, dependendo da temporada ou do mood do momento”, conta, possivelmente revelando o segredo da longevidade de sua carreira em uma indústria cada vez mais rotativa.

Suas joias são marcantes, para mulheres igualmente marcantes. Não surpreende, então, que uma de suas maiores musas seja a icônica Loulou de La Falaise – grande amiga, falecida em 2011. “Além de ter uma personalidade muito forte, com seu jeito indiferente e antiburguês, ela podia juntar um pedaço de pano com um alfinete de segurança e transformá-lo em um vestido superchique.” Outras amigas, como Inès de la Fressange, Farida Khelfa e Olympia LeTan, completam seu time alta- mente inspirador – ah, elas são também suas fiéis consumidoras.

Fato é que Elie é adorado por quem entende do assunto. E ele sabe disso.Tanto que já sonha alto com o futuro de sua marca: quer continuar a expandir suas coleções com peças únicas. Natural, em se tratando de um profissional one of a kind.

Colar com pingente de ouro, prata e diamante em versão aberta e fechada - Foto: reprodução / Harper´s Bazaar
Colar com pingente de ouro, prata e diamante em versão aberta e fechada – Foto: reprodução / Harper´s Bazaar