Por Rodrigo Yaegashi

O ano de 2018 já começa empolgante para a moda. Sim, a era do silêncio se foi. Hoje, a chuva de opiniões, comentários, likes, emojis e hashtags se faz valer, e o poder de voz é de todos, basta digitar. Desde 2015, com a Burberry e seu modelo see now, buy now, Christopher Bailey mergulhou de cabeça no desejo instantâneo dos millennials e agora, em 2018, para seu grand finale na marca, não podia deixar de dar seu recado.

Por meio do tema central Passado, Presente e Futuro, é possível enxergar um passado de história e tradição, um presente de engajamento – vide essa coleção que levanta a bandeira LGBT – e um futuro delineado por inovações. Mas, antes mesmo do desfile em Londres, outra despedida marcou o fim de uma era de muita elegância e glamour. Em NovaYork, Carolina Herrera deixou o cargo de diretora criativa e passa a ocupar a função de embaixadora da marca que criou.Para ela, os desafios vão além da moda: a família não para de crescer e a business woman quer se dedicar a ela. E tudo bem, o feminismo é a libertação da mulher e de suas decisões. Com isso, chegamos ao tema mais visto nas passarelas.

O empoderamento feminino vem vestido com o flower power dos anos 1970, os ombros e volumes poderosos da década de 1980 – pense em Grace Jones – e até mesmo os anos 1990, com o desalinho, a desconstrução e esportividade.Todo esse contexto de empoderamento ganha ainda mais sentido neste mês dedica- do às mulheres.Assim, o que se mostra mais relevante não são apenas os cortes inteligentes de Raf Simons, os exageros magistrais de Marc Jacobs ou mesmo as loucuras de Hussein Chalayan.

O inconsciente coletivo, por ora, é de identidade de marca em primeiro plano e resposta política, e até social, no que se vestirá daqui pra frente. Penso, logo visto.