Foto: Divulgação
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Por Lucas Boccalão

“Cresci e vivi boa parte da minha vida entre a América Latina e a Alemanha”, dá a pista a designer de joias Ina Beissner, sobre sua estética que combina míni e máxi numa só peça. “Minhas criações são o resultado da colisão entre esses dois mundos: a discrição do norte europeu e a estética tribal e tradicional da joalheria pré-hispânica do Peru e da Colômbia.”Desde que as joias minimal tiveram um boom nos últimos anos, Ina destaca-se entre a assepsia clean do design modernista e a extravagância ostensiva do decorativismo. Suas peças são o equilíbrio perfeito entre a necessidade por praticidade e a vontade por decoração. São fáceis, limpas, mas cheias de informação de moda. De proporções reduzidas, são perfeitas para combinarem entre si e serem usadas o dia todo. Ao mesmo tempo, são trabalhadas a tal ponto que não ficam em nada deslocadas em situação habillé. “Percebi essa abertura entre os dois extremos do mercado”, diz.

Nascida em Lima, no Peru, Ina tem experiência em praticamente todas as áreas da indústria da moda. Antes de assumir sua vocação de designer, foi consultora de relações-públicas na Proenza Schouler e trabalhou no mercado editorial. “Absorvi tudo que aprendi em todos os campos pelos quais passei. Todas essas experiências me ajudaram a entender melhor a mulher e a seguir meus próprios instintos. E assim, em 2010, começou a produzir seus primeiros protótipos; e, naquele mesmo ano, lançava sua marca homônima em Berlim.

Trabalhando com duas coleções de fashion jewelry (bijoux) ao ano, em 2015 lançou uma minicoleção de fine jewelry, que, a partir da próxima estação, passa a ser a única trabalhada pela designer. “Estou há cinco anos nesse negócio e não concordo mais com essa dinâmica tão rápida da indústria da moda. Gasto muita energia, tempo e dinheiro para desenhar, desenvolver e produzir cada peça, que logo será descartada na seguinte. Uma joia não deveria ser timeless, duradoura e sustentável? Em outras palavras: uma geração não deveria poder passá-la para outra?”, questiona.

Agora, em vez de banhar as peças, Ina trabalha somente com ouro sólido e diamantes. São essas as bases dos brincos e acessórios de orelha inspirados em tribos sul-americanas da atual coleção – verdadeiro estudo de forma e função, mas com bagagem histórica. Tudo começa com um aro que serviu de ponto de partida para a peça favorita da designer, a argola Kaeli, a qual parece flutuar na concha da orelha. Do mesmo shape também nasce a nova versão de seu best-seller, o brinco Chikka, agora de ouro e diamantes. E tudo produzido na Itália, respeitando a mão de obra que Ina tanto preza. As peças podem ser encontradas na multimarcas Joyce, em Hong Kong, em vários pontos de venda na Alemanha e no e-commerce da marca.