A mente por trás da Yebo: Domênica Dias, filha de Eliane Dias e Mano Brown – Foto: Reprodução/Instagram

A grande estreante da edição número 49 da Casa de Criadores foi a marca paulista Yebo. A label, que desfilou presencialmente no Teatro Mars na última sexta-feira (10.12), é comandada por mãe e filha: a empresária Eliane Dias e Domênica Dias, que é filha do rapper Mano Brown e irmã de Kaire Jorge. Para o debut, foi apresentada a coleção “Brilhar como Um Farol”, em um desfile que misturou o físico e o virtual.

Em papo com a Bazaar, Domênica contou que o fio condutor para a construção das peças é o brilho interno de casa pessoa, retirado da filosofia Bantu em que se prega que todo e qualquer ser humano é um sol. “A inspiração vem do momento que estamos vivendo, em que pessoas brilhantes vão sendo apagadas ou mal têm o direito de se fazer brilhar pro mundo. A ideia é que todas as pessoas nesse processo o usem para exibir o seu brilho”, afirma.

Para ela, que cresceu rodeada de artistas, arte e cultura, o tecido é só mais uma plataforma possível de se expressar e entregar seu olhar para o mundo. “A vivência da minha família me dá coragem e me lembra de que nada do que fazemos é isolado. A arte que acredito sempre conecta várias expressões criativas entre si. Nós pensamos sempre nos detalhes e no todo”, completa.

Leia o papo na íntegra abaixo com a designer Domênica Dias.

Yebo, Casa de Criadores número 49 – Foto: Agência Fotosite

Qual a sensação principal de estar estreando na Casa de Criadores?

É uma honra estar nesse evento que sempre admirei e ao lado de pessoas tão potentes. Essa galera faz parte da moda que eu acredito. Estou vibrando desde o primeiro momento, está sendo uma aventura linda de desbravar. Me sinto maior.

Conte um pouco quais foram as inspirações e o fio condutor para a criação da coleção “Brilhar como Um Farol”?

Apresentamos mais do que uma coleção. É um discurso “Pelo Direito de Brilhar”. Todas as linguagens artísticas que usamos nesse projeto são recursos para nos ajudar a expressar essa inquietação. A inspiração vem do momento que estamos vivendo, em que pessoas brilhantes vão sendo apagadas ou mal têm o direito de se fazer brilhar pro mundo, em contraponto com o que nos ensina a filosofia Bantu que diz que todo ser humano é um sol. A ideia é que todas as pessoas nesse processo o usem para exibir o seu brilho.

HB – Quais foram as cores e as principais referências para construção destas peças?

No filme, usamos a cor cinza por se passar em um momento inicial da narrativa. E para dar continuidade, escolhi as cores branco e off white para contar essa história no evento. São pessoas pretas e suas peles em contraste com os tons das peças. Uso do diálogo entre o street, o sport e uma alfaiataria ressignificada. Tudo isso para potencializar ainda mais o brilho em cada pessoa que estará em cena.

E o fashion film, como foi concebido?

Foi concebido por meio de uma grande guerrilha. Pessoas incríveis foram somando por acreditar nessa verdade e construímos algo que ficará pra sempre. 

Quais serão os próximos planos e projetos da sua marca?

Meus planos para a marca agora são de juntar com mais gente que cria. Quero muito criar junto e jogar pro mundo colaborações com outras marcas e artistas. Além disso, penso em criar coleções menores e em intervalos de tempo menores. Mas isso ainda vai ser experimentado.

Sua vivência como mulher preta está expressa em seu trabalho de que forma?

Minha vivência como mulher preta se expressa em cada centímetro de mim e de qualquer coisa que eu faça. Meu corpo molda tudo que passa por mim e tudo que sai de mim. Minha missão é ser honesta com todas essas experiências e tentar me comunicar, de alguma forma, com as minhas semelhantes. Quero ver as mulheres pretas se sentindo brilhantes em tudo, inclusive, através das suas roupas.

A vivência artística da sua família como um todo te trouxe para qual lugar para conseguir construir seu trabalho em tecidos?

A vivência da minha família me dá coragem e me lembra de que nada do que fazemos é isolado. A arte que acredito sempre conecta várias expressões criativas entre si. Nós pensamos sempre nos detalhes e no todo. Os tecidos são mais uma possibilidade de comunicação dentre todas as outras que também posso usar. 

Como você enxerga a Yebo daqui 10 anos?

Enxergo a Yebo na boca e nos corpos da galera. No Brasil e fora dele. Com parcerias sólidas, fidelidade das pessoas e olhares de cumplicidade. Estamos pra somar.