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Conhecer o próprio corpo é a chave para brincar com a moda e ser mais feliz

Aos 61 anos, a consultora e bióloga Cris Bemvenutti analisa a questão no livro "Enfim, Vestida de Mim"

by Silvana Holzmeister
Cris Bemvenutti - Foto: Divulgação

Cris Bemvenutti – Foto: Divulgação

Seu corpo é uma pera ou ampulheta? Inconformada com analogias como essas, que, comumente, rotulam a silhueta feminina, Cris Bemvenutti arregaçou as mangas e, depois de quatro anos de estudo, chegou a um novo conceito, o XHOVA S8-P3. Apesar de complicada à primeira vista, a ideia é simples. O termo XHOVA refere-se aos formatos de silhueta de acordo com as medidas horizontais – ombros, cintura e quadris.

O S8 analisa a proporção vertical do corpo, levando em conta o tamanho da cabeça. E o P3 investiga o perfil da mulher, trabalhando com os volumes dos seios, cintura e bumbum. “O grande diferencial está na integração dessas informações”, conta a expert, que é formada em Anatomia de Imagem pelo The Institute of Image Consulting, em Londres, e também é bióloga.

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Cris Bemvenutti - Foto: Divulgação

Cris Bemvenutti – Foto: Divulgação

A proposta é considerar as características físicas, sejam elas favoráveis ou não, e, a partir disso, chegar ao equilíbrio. Aqui, Cris resume as principais ideias de seu livro:

Somos únicas, não há outra igual e isso é incrível. Devemos encarar nossa imagem como a oportunidade de mostrar ao mundo algo único. Tem muito mais a ver com ser distinguido do que ser notado.

Um grande problema que ronda a vida de nós, mulheres, é a pergunta: “O que vou vestir?”. Realmente, é muito difícil escolher uma “embalagem” para um “produto” que não conhecemos bem. No momento em que você percebe as reais dimensões do seu corpo, vesti-lo deixa de ser um problema e passa a ser uma grande diversão ou, no mínimo, algo bem mais leve!

Cris Bemvenutti - Foto: Divulgação

Cris Bemvenutti – Foto: Divulgação

A percepção de quem nos observa é importante porque o cérebro humano é levado a entender o que vê por meio de “algumas pistas” e você pode usar estratégias que levam o observador a perceber o resultado que você deseja. Por exemplo, um vestido com estampa geométrica formando um X na cintura leva o olhar do outro para o ponto de encontro das linhas, criando uma sensação de profundidade, afinando a região.

Não existe corpo perfeito, mesmo porque “perfeição” é uma hipótese que está dentro da cabeça das pessoas. Não há verdade absoluta quando o assunto é “feio ou bonito”, “grande ou pequeno”, “longo ou curto”. O conceito de equilíbrio, porém, é uma constante na cabeça de todos. É isso que devemos procurar ao nos vestirmos.

Cris Bemvenutti - Foto: Divulgação

Cris Bemvenutti – Foto: Divulgação

Não tenho crises na frente do guarda-roupa porque sei que sempre haverá uma solução. Quando preciso ir a um lugar e não sei o caminho, uso um mapa. No momento que eu tenho uma silhueta nas mãos (no caso, meu corpo), é só ter um pouco de paciência, calcular ou traçar uma rota (escolher a roupa) e chegar ao destino desejado (eu na minha melhor versão).

Acho que o termo “acessórios” deveria ser visto como algo que te dá “acesso” a um resultado incrível. “Acessório” deveria se chamar “obrigatório”.

As mulheres têm dificuldade de encontrar seu estilo próprio porque é um desafio rotular. Mas, primeiro, é preciso riscar da vida aquilo que, definitivamente, não te representa. E o que restar você vai experimentando. Comigo, apesar de amar o conforto despojado, tem dias que estou a fim de assumir um estilo mais clássico. Agora, o que, definitivamente, não funciona pra mim é babado, frufru, muitos detalhes, isso não me representa. Todas as outras alternativas estão valendo na minha vida.

Cris Bemvenutti - Foto: Divulgação

Cris Bemvenutti – Foto: Divulgação

Roupa boa é aquela que me dá liberdade de movimento e que me permite pensar. Se eu usar qualquer coisa apertada ou que me incomode, isso vai alterar minha performance. Aliás, quando olho para mim, admiro muito mais a forma como sou, o jeito que eu vivo, meu jeito de ser, de falar e de me comunicar, do que propriamente a minha aparência.

A gente muda de corpo a vida inteira, principalmente nós, mulheres. E essa é outra razão pela qual resolvi escrever esse livro. Cada vez que seu corpo muda, você precisa se voltar para ele e achar novas respostas. E isso é incrível.