John Galliano em retrato oficial para a Maison Martin Margiela - Foto: Reprodução Bazaar Janeiro 2015
John Galliano em retrato oficial para a Maison Martin Margiela – Foto: Reprodução Bazaar Janeiro 2015

Por Luigi Torre

A temporada internacional de verão 2015, desfilada entre setembro e outubro de 2014, foi tão interessante dentro quanto fora das passarelas. Estamos falando da repentina troca de profissionais em importantes marcas de luxo. A mais emblemática delas? A saída do estilista Matthieu Blazy da Maison Martin Margiela e a nomeação de John Galliano como seu substituto – a princípio apenas para a linha de alta-costura. Sem dúvidas, é a estreia mais aguardada, já com data marcada para dia 12 deste mês – e em Londres, não em Paris, como de costume.

O début ainda chama a atenção pelo antagonismo estético máximo. De um lado, a Maison Martin Margiela, conhecida por seu minimalismo impessoal desconstruído. Do outro,o polêmico Galliano, cujo trabalho (e vida) tende à máxima teatralidade romântica, nada avesso aos flashes, como foi o estilista belga.

O contraste, porém, pode dar bons frutos. Apesar do episódio infame que resultou em sua demissão da Dior, não há como negar o talento do designer britânico – ainda mais com toda a sua equipe da maison francesa reagrupada para a nova empreitada. Fato que deixa ao menos uma certeza: a Margiela não será mais a mesma, passará por algumas reformulações e um possível reposicionamento.

Quanto a Matthieu, o jovem e promissor estilista, ex-pupilo de Raf Simons, integra agora a equipe de estilo da Céline. Marca, aliás, que perdeu seu designer de acessórios, Johnny Coca, para a inglesa Mulberry (substituindo Emma Hill, que deixou a grife em 2013). E se as criações que Coca assinou ao lado de Phoebe Philo (Céline) são algum indicativo, a marca britânica ganhará bons hits ao fim do ano.

Ainda na moda francesa, em meados de 2014, Christopher Lemaire comunicou seu desligamento da Hermès, dando lugar a Nadège Vanhee-Cybulski, talentosa estilista e ex-The Row. Sua primeira coleção, a ser desfilada em fevereiro, em Paris, promete dar cara nova ao luxo discreto pelo qual a maison é conhecida.

Há ainda dois outros importantes movimentos envolvendo duas tradicionais casas francesas e uma americana. Peter Coppings, então diretor de criação da Nina Ricci, oficializou, pouco após o desfile de verão 2015 da marca, que estava de mudança para a Oscar de la Renta. Autor de uma moda feminina e romântica, é escolha acertada para dar continuidade ao legado de Oscar de la Renta, falecido em novembro último – fato que tende a aumentar a já alta dose de pressão sobre o novato. Como seu substituto, na Nina Ricci, chega Guillaume Henry, diretamente da direção da Carven. Lá, o francês foi capaz de reposicionar a label entre as mais cool do mercado, com imagem girlie, de referências quase subversivas e bem-humoradas, e a preços acessíveis. Imagem de sucesso, mas bem diferente daquela da Nina Ricci, de um romantismo sofisticado e moda mais elaborada. Até o fechamento desta edição, a Carven não possuía novo diretor de criação.

Sinal de crise? Talvez para os pessimistas. Quando muitos estilistas deixam seus postos (por vontade própria ou da em presa), é sinal de que o mercado não anda bem. Mas não desta vez. É que a moda tem disso mesmo. O que realmente interessa, as grande decisões capazes de mudar o rumo do seu guarda-roupa e toda a indústria acontecem, via de regra, nos bastidores.Atrás de portas (bem) fechadas.