Iza veste blazer Dolce & Gabbana; calça, R$ 360; meias, R$ 30, e tênis Attrek, R$ 380, Fila. Piercing trio de rivieras e gargantilha com pendente, tudo em ouro branco com diamantes, Marisa Clermann - Foto: Maltchique, com edição de moda de Rodrigo Yaegashi, beleza de Mary Saavedra, styling de Bianca Jahara, retoque de Helder Bragatel, apoio Thinkers e 3T Locadora, e cenografia de Dudz
Iza veste blazer Dolce & Gabbana; calça, R$ 360; meias, R$ 30, e tênis Attrek, R$ 380, Fila. Piercing trio de rivieras e gargantilha com pendente, tudo em ouro branco com diamantes, Marisa Clermann – Foto: Maltchique, com edição de moda de Rodrigo Yaegashi, beleza de Mary Saavedra, styling de Bianca Jahara, retoque de Helder Bragatel, apoio Thinkers e 3T Locadora, e cenografia de Dudz

A desenvoltura de Iza na sessão de fotos para sua primeira capa de revista de moda surpreendeu a equipe de Bazaar. Rápida e certeira. Quem a vê apresentando programas de TV jura que ela tem feito isso a vida toda.

No entanto, a cantora de 28 anos, que já dividiu o microfone com Caetano Veloso, Gilberto Gil e Milton Nascimento, só para citar alguns, e planeja duetos internacionais para 2019, causa espanto maior ao relembrar que tem apenas três anos – sim, três! – de carreira e que achava que cantar profissionalmente não era para ela.

A trilha sonora da infância recheada de boa black music, como Earth, Wind & Fire, Naturally 7, George Benson, Michael Jackson e Donna Summer, colocada para tocar pela mãe, professora de artes e música, e pelo pai, militar, que gosta de charm e de samba, já formava seu gosto pessoal e aperfeiçoava seu inglês sem que ela se desse conta.

SIGA A BAZAAR NO INSTAGRAM

Polo, R$ 149, Fila e anéis e pulseiras com diamantes negros Marisa Clermann - Foto: Maltchique, com edição de moda de Rodrigo Yaegashi, beleza de Mary Saavedra, styling de Bianca Jahara, retoque de Helder Bragatel, apoio Thinkers e 3T Locadora, e cenografia de Dudz
Polo, R$ 149, Fila e anéis e pulseiras com diamantes negros Marisa Clermann – Foto: Maltchique, com edição de moda de Rodrigo Yaegashi, beleza de Mary Saavedra, styling de Bianca Jahara, retoque de Helder Bragatel, apoio Thinkers e 3T Locadora, e cenografia de Dudz

O coral da igreja católica, onde começou a cantar aos 14 anos, era considerado meramente um hobby. A carioca, criada em Natal, para onde o pai foi transferido, queria ser publicitária: se formou pela PUC-RJ e foi trabalhar na área. Mas depois de trocar muito de emprego, percebeu que algo não saía como o planejado. “Estava com 25 anos, já no meu quinto emprego, nunca me sentia satisfeita. Comecei a me questionar qual seria a única coisa que faria de graça pelo resto da minha vida. E a resposta foi a música.”

Iza pediu demissão da produtora em que atuava e começou a gravar, com o namorado da época e uma câmera emprestada, os primeiros vídeos em que cantava covers de Nina Simone, Beyoncé, Rihanna, Alceu Valença e Tim Maia. “Depois, ele comprou uma câmera, passamos a fazer parceria com estúdios. Queria fazer direito, tinha uma produção. Eu cantava tudo o que admirava, e as pessoas foram gostando e entendendo quem eu era”, diz. “Foi assim que consegui entrar para a gravadora. Mandei um vídeo para a Warner, eles se interessaram e foi como tudo começou.”

Jaqueta, R$ 290, e tênis Disruptor, R$ 500, Fila; calça pantalona Agilità e rivieras de diamantes Marisa Clermann - Foto: Maltchique, com edição de moda de Rodrigo Yaegashi, beleza de Mary Saavedra, styling de Bianca Jahara, retoque de Helder Bragatel, apoio Thinkers e 3T Locadora, e cenografia de Dudz
Jaqueta, R$ 290, e tênis Disruptor, R$ 500, Fila; calça pantalona Agilità e rivieras de diamantes Marisa Clermann – Foto: Maltchique, com edição de moda de Rodrigo Yaegashi, beleza de Mary Saavedra, styling de Bianca Jahara, retoque de Helder Bragatel, apoio Thinkers e 3T Locadora, e cenografia de Dudz

No entanto, Iza conta que, antes, teve de enfrentar o medo de se expor. O discurso não combina com a descrição do começo deste texto. Ela garante que tinha mesmo uma trava. “A partir do momento em que assumi para mim mesma que era cantora, não podia fugir mais de nada. Sabia que teria de perder a vergonha, mas não aconteceu de uma hora para outra, claro. Agora, é uma delícia, é natural para mim.”

O medo de aparecer passou, mas o frio na barriga surge toda vez que divide o palco ou o estúdio com um dos nomes que ouvia no som de casa quando criança. Na conversa, ela relembra o dia em que teve de cantar uma música de Djavan para o próprio, no palco do programa “Altas Horas”, assim como também fizeram Ivete Sangalo e Vanessa da Mata, entre outros. “Quase morri. Todo mundo em pânico, tremendo. Parecia até prova de escola (risos).”

Fã de moda, a cantora costuma provocar arrepios em sua stylist, Bianca Jahara, quando é flagrada por paparazzi vestindo looks de desfiles, reservados para ocasiões especiais, no aeroporto ou em um jantar casual com o marido, o produtor musical Sérgio Santos. “Até por ser publicitária, sempre entendi que a roupa faz parte do discurso, ela comunica antes de mim quando chego a algum lugar. As pessoas olham para a nossa aparência, tentam te sacar pelo o que você está vestindo, qual mensagem está querendo passar. Quando você é cantora, isso maximiza. Realmente vira um discurso”, afirma.

Camisa Celine na NK Store - Foto: Maltchique, com edição de moda de Rodrigo Yaegashi, beleza de Mary Saavedra, styling de Bianca Jahara, retoque de Helder Bragatel, apoio Thinkers e 3T Locadora, e cenografia de Dudz
Camisa Celine na NK Store – Foto: Maltchique, com edição de moda de Rodrigo Yaegashi, beleza de Mary Saavedra, styling de Bianca Jahara, retoque de Helder Bragatel, apoio Thinkers e 3T Locadora, e cenografia de Dudz

Com mais de 387 milhões de visualizações no YouTube, Iza não se priva de circular pelos lugares de que gosta. Mas confessa que prefere pedir comida por delivery e aproveitar o conforto de casa quando está com pressa ou pouca paciência, para não desapontar os fãs que querem posar com ela. “A pessoa que pede uma foto não sabe que você já tirou outras 10. Elas têm de entender que não tenho obrigação de parar, que sou uma pessoa normal e tenho as minhas coisas para fazer. Mas também tenho a compreensão de que, para elas, pode ser um acontecimento. Às vezes, a pessoa quer uma foto e não sabe nem o seu nome; às vezes, você tirou aquela pessoa de uma depressão.”

A cantora sabe o poder que tem e o que representa para milhares de meninas. A vida dela seria mais fácil se tivesse tido uma Iza para se mirar quando era criança e sofria preconceito por ser a única aluna negra na sala de aula. “Quando chega aquela idade em que todo mundo começa a se embelezar, a se cuidar, como eu iria me amar se não tinha produtos para mim? Nada ficava bom na minha pele. Naquela época, não tinha maquiagem nacional para negras e minha mãe não tinha dinheiro para comprar Kryolan, Lancôme…”, relembra. “As pessoas falavam: ‘Vai lá, se valoriza, se aceita1’ Mas com o quê?” As garotas de hoje têm mais artifícios, mais referências e uma musa inspiradora que vai cada vez mais longe.

Leia mais:
Iza se renova e flerta com e reggae