Looks da Louis Vuitton e Dior de inverno 2015. Fotos: divulgação
Looks da Louis Vuitton e Dior de inverno 2015. Fotos: divulgação

Por Luigi Torre

O futuro é agora, mesmo que se pareça com o ontem. Foi essa uma das principais ideias apresentadas nos mais recentes desfiles internacionais. Começou no verão 2015, quando Raf Simons, há tempos obcecado pela relação entre passado, presente e futuro, imprimiu mais de seu estilo na alta-costura da Dior. Ali, a combinação superdesejável de referências 50’s, 60’s e 70’s já não tinha nada de nostalgia, pelo contrário, era das mais atuais. Ideias similares continuaram na temporada seguinte, a de inverno 2015. Aqui, anos 1960, 1970 e 1980 influenciam, simultaneamente, a moda da estação, o que explica as várias interpretações de estilos daquelas décadas. Pense em tecidos e decorações metalizadas, superfícies resinadas ou plastificadas e formas ergonômicas, próximas ao corpo. Porém, com proporções atualizadas para o guarda-roupa de agora.

O movimento atende pelo nome de retrofuturismo. Trata-se da ideia de um futuro visto através do passado. Exemplos são vários: nos anos 1930, se imaginava que dali a não muito tempo teríamos cidades controladas por robôs e carros voadores à la Metrópolis; nos anos 1960, a chegada do homem à Lua deu início a diversas interpretações da vida no espaço na moda (com Pierre Cardin, Courrèges e Paco Rabanne), no design e na cultura, vide filmes como Barbarella e o desenho animado Os Jetsons; nos anos 1980, em De Volta para o Futuro II, Marty Mcfly sai de 1985 para um 2015 com skates voadores e tênis que se amarram sozinhos; no fim dos anos 1990, imaginava-se que o bug do milênio instauraria o caos mundial com a chegada dos anos 2000.

Não aconteceu. Mas a internet tomou proporções jamais imaginadas, óculos se transformaram em aparelhos multimídia, nossos telefones estão, aos poucos, substituindo os computadores, e os relógios, os telefones. Na ciência, o decodificacção do nosso DNA revela novas possibilidades a cada dia, já temos roupas que se adaptam às mais adversas condições climáticas e a Nike, finalmente, lançou um tênis que amarra sozinho – pelo menos uma previsão de Robert Zemeckis (diretor de De Volta para o Futuro) que se concretizou. Em outras palavras, nunca estivemos tão próximos das ideias que se tinha sobre um suposto futuro.

Combine isso à lenta, mas reanimada, retomada da economia global e chegamos a uma das principais causas dessa tendência. A moda, aos poucos, volta a estar na moda. Os looks de cara vintage, que dominaram as últimas décadas, começam a sair de cena e dar espaço à novidade. Para além da estética e do visual, as principais coleções do inverno 2015 internacional apresentam propostas realmente inovadoras. Na LouisVuitton, Nicolas Ghesquière dá cara nova ao sportswear de luxo, com apelo pop, técnicas das mais avançadas e uma constante sensação de conforto e praticidade. Raf Simons vai pelo mesmo caminho na Dior: imagina uma mulher selvagem, mas o resultado final, com suas formas puras, combinações de cores superfrescas, padronagens ampliadas digitalmente e botas de vinil com salto de acrílico, pouco lembra o mundo natural. São imagens simples, mas com qualidades modernas. Bem como a reinvenção da Loewe, por Jonathan Anderson, com suas calças de couro superfinas e tops metalizados. Cada um a seu estilo, oferecem novos modos de vestir, unindo criatividade e tecnologia, ao mesmo tempo em que reformulam, por completo, o próprio funcionamento da indústria da moda.

Looks da Acne, Dior, Loewe e Mugler! Fotos: divulgação
Looks da Acne, Dior, Loewe e Mugler! Fotos: divulgação