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Um dos grandes trunfos de Maria Grazia Chiuri à frente da direção criativa da Christian Dior foi o de transformar em coleções sua vivência no mundo contemporâneo. Foi assim que a ênfase em conforto, praticidade, atitude feminista e conexão com a arte surgiram naturalmente.

A esses valores, ela agora enfatiza os sentimentos de bem-estar e aconchego, captados da sua própria intimidade nos meses em que ficou reclusa, em sua casa em Roma, durante a primeira onda da Covid-19 na Europa. O reflexo apareceu nas coleções cruise e verão 2021, lançadas em julho e setembro, respectivamente, e salta na mais nova edição limitada da marca, a cápsula “Dior Chez Moi”, que acaba de chegar às lojas da marca no País.

Primeira ação da marca francesa totalmente dedicada ao loungewear, reúne pijamas e caftãs preciosos, delicados roupões e tops, além de tricôs acolhedores com pegada atemporal. Apesar das desvantagens do distanciamento social, o lockdown, na opinião de Maria Grazia, acabou trazendo uma perspectiva diferente para o cotidiano e impulsionou sua criatividade. O lançamento é reflexo dessa experiência.

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O grande charme das roupas é que elas transitam de dentro para fora de casa sem nenhuma cerimônia, graças ao luxo discreto das peças conectado a duas estampas importantes para Maria Grazia. Para a primeira, ela pediu a Pietro Ruffo que redesenhasse os motivos do Zodíaco – um tributo à natureza supersticiosa de Christian Dior – como um mapa do mundo ligando o céu e a Terra, continentes e constelações, flora e fauna.

Também morador de Roma, e um dos importantes nomes da arte contemporânea italiana, Pietro já pode ser considerado um colaborador próximo. Ele assinou o cenário do desfile de alta-costura em comemoração aos 70 anos da maison e participou da idealização dos vestidos esculturais, batizados de “Contellation”, para o vigésimo aniversário do Tiepolo Ball, no ano passado, em Veneza.

E emprestou seu talento para a estampa de outra coleção-cápsula, a “Dioriviera”, lançada em junho. “Ele também é muito ligado a Paris. Essas duas cidades têm um enorme significado para mim. É um diálogo que se transformou em colaboração”, diz Maria Grazia.

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No segundo print, a novidade é o tom de azul marinho da versão revisitada da tradicional padronagem toile de Jouy, que faz parte da história têxtil francesa do século 18 e era um dos principais elementos da decoração da primeira loja da Dior, no número 30 da avenida Montaigne.

Atualizada pela diretora criativa inicialmente para a coleção cruise 2019, a partir do realismo mágico de Isabel Gallende e Gabriel García Marquez, exibe paisagens de contos de fadas habitadas por tigres, ursos, girafas e cobras desenhados à mão com caneta tinteiro no lugar das cenas bucólicas retratadas em tear por artesãos da cidadezinha francesa de Jouy-en-Josas.

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A proposta, conta ela, é um convite ao way of life refinado, atento ao momento atual, com assinatura Dior.